Destino famoso no interior de São Paulo pode ser considerado a melhor vila turística do mundo pela UNU

Conhecido pelas flores e pelo cenário que lembra a Europa, município paulista entrou na disputa por um dos prêmios mais importantes do turismo mundial

Entre paisagens coloridas, tradição e uma história pouco conhecida, cidade do interior de São Paulo tenta conquistar um reconhecimento internacional (Foto: Tania Parejo/Wikimedia Commons)

Entre paisagens coloridas, tradição e uma história pouco conhecida, cidade do interior de São Paulo tenta conquistar um reconhecimento internacional (Foto: Tania Parejo/Wikimedia Commons)

Campos floridos, arquitetura europeia e uma história única foram fatores que colocaram uma cidade do interior paulista entre os candidatos a um dos principais reconhecimentos do turismo internacional. O anúncio despertou curiosidade e levou o município aos holofotes.

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O destino é Holambra, conhecida como a Capital Nacional das Flores. A cidade, junto com mais sete destinos, foi escolhida para representar o Brasil na disputa pelo prêmio Melhores Vilas Turísticas, da ONU Turismo, iniciativa que reconhece localidades capazes de preservar a cultura local e incentivar um turismo sustentável.

A indicação, porém, vai muito além das paisagens coloridas. O que poucos sabem é que Holambra só se tornou referência nacional em flores depois que o projeto original dos imigrantes holandeses fracassou, mudando completamente o rumo da cidade.

Indicação coloca o Brasil em evidência

Holambra está entre os sete destinos brasileiros selecionados para disputar o prêmio Melhores Vilas Turísticas. A premiação, criada pela ONU Turismo em 2021, destaca pequenas cidades que preservam suas tradições e promovem o desenvolvimento sustentável.

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Neste ano, o município paulista concorre ao lado de outras 268 localidades espalhadas por diversos países. O resultado será anunciado em dezembro, durante uma cerimônia realizada em Buenos Aires, na Argentina.

Desde a criação da iniciativa, apenas duas localidades brasileiras receberam o selo da ONU Turismo: Testo Alto, distrito de Pomerode (SC), e Antônio Prado (RS). Agora, Holambra tenta ampliar essa lista e fortalecer a presença do Brasil na premiação.

Raízes holandesas preservadas até hoje

A história de Holambra começou logo após a Segunda Guerra Mundial, quando famílias holandesas chegaram ao interior paulista em busca de uma nova oportunidade. A influência dessa imigração continua presente em praticamente todos os cantos da cidade.

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As fachadas inspiradas na arquitetura dos Países Baixos, os jardins bem cuidados, as apresentações folclóricas e a gastronomia típica ajudam a manter viva essa herança. Em algumas famílias, o idioma holandês ainda faz parte da rotina.

Até o nome do município carrega essa identidade. Holambra nasceu da união das palavras Holanda, América e Brasil, simbolizando a ligação entre a origem dos imigrantes e a nova vida construída em território brasileiro.

O fracasso que mudou a história da cidade

Ao contrário do que muitos imaginam, os primeiros moradores não chegaram à região pensando em cultivar flores. O plano era transformar a antiga Fazenda Ribeirão em uma grande produtora de leite.

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As dificuldades apareceram rapidamente. Doenças tropicais atingiram o rebanho e inviabilizaram o projeto, obrigando os produtores a buscar uma alternativa capaz de garantir o sustento da comunidade.

Foi então que, no fim da década de 1960, o cultivo de flores começou a ganhar espaço. A aposta deu tão certo que Holambra se transformou em um dos maiores polos da floricultura brasileira e passou a ser reconhecida em todo o país.

Muito além dos campos floridos

Atualmente, Holambra responde por cerca de 40% da produção de flores e plantas ornamentais do Brasil. Além disso, aproximadamente 80% das exportações brasileiras do setor passam pelo município, segundo dados da prefeitura.

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Essa vocação movimenta a economia e também impulsiona o turismo. Todos os anos, a cidade recebe a Expoflora, considerada a maior exposição de flores da América Latina, reunindo visitantes de diferentes estados brasileiros.

Quem percorre as ruas também encontra bicicletas, praças floridas, cafés e construções típicas que reforçam a sensação de estar em uma pequena cidade europeia sem sair do interior de São Paulo.

Símbolo que virou cartão-postal

Entre todos os atrativos de Holambra, o Moinho Povos Unidos ocupa um lugar especial. Inaugurado em 2008 para celebrar os 60 anos da imigração holandesa, ele se tornou o principal símbolo turístico do município.

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Com 38 metros de altura, cinco andares abertos à visitação e funcionamento semelhante ao dos tradicionais moinhos holandeses, a construção é considerada a maior desse tipo em toda a América Latina.

Foi justamente essa combinação entre patrimônio cultural, tradição agrícola, preservação histórica e turismo sustentável que colocou Holambra na disputa internacional. Agora, a cidade aguarda o anúncio da ONU Turismo e pode conquistar um reconhecimento capaz de ampliar ainda mais sua projeção no cenário mundial.

Como chegar

Para quem pretende sair da Capital, a forma mais prática é embarcar na Rodoviária do Tietê. Desde janeiro de 2026, Holambra conta com uma linha rodoviária direta para São Paulo, com partidas diárias operadas pela Lirabus/VB Transportes, eliminando a necessidade de baldeações.

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Quem utiliza transporte público municipal pode chegar facilmente ao Terminal Rodoviário do Tietê usando o metrô. Segundo a SPTrans, basta utilizar a Linha 1-Azul e desembarcar na estação Portuguesa-Tietê, integrada ao terminal rodoviário. A ferramenta “Planeje sua Viagem” também permite consultar o melhor trajeto a partir de qualquer ponto da cidade.

Já para quem prefere viajar de carro, Holambra fica a cerca de 135 quilômetros da capital paulista. O trajeto mais comum é pelas rodovias dos Bandeirantes (SP-348) ou Anhanguera (SP-330), seguindo depois pelas rodovias Dom Pedro I (SP-065) e Governador Adhemar Pereira de Barros (SP-340), com viagem de aproximadamente duas horas, dependendo das condições do trânsito.