Cidade real parece ter saído da ficção científica, com neon, trens que atravessam prédios e robôs

Na China, a metrópole 8D mistura neon, trens atravessando prédios e templos iluminados em um cenário que parece saído de Blade Runner

Skyline da cidade noturna é marcado pelo Zishui Xiaodeng, as "lanternas noturnas refletidas na água"

Skyline da cidade noturna é marcado pelo Zishui Xiaodeng, as "lanternas noturnas refletidas na água" | Maple Doctor / Wikimedia Commons

A cidade de Chongqing, no sudoeste da China, é frequentemente considerada a cidade mais cyberpunk do mundo. Construída entre rios e montanhas, a cidade se destaca por seus prédios, neon e tecnologia.

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Também conhecida como “Cidade Vertical”, a metrópole chinesa é marcada pelo conceito de “Cidade 8D”. Esse modelo integra uma cidade verticalizada com diversas plataformas, trilhos e arquitetura de última geração.

Um desenho futurista

A primeira coisa que chama a atenção de quem observa a cidade à noite são seus prédios estilizados, que mesclam a arquitetura futurista moderna com a arquitetura clássica chinesa, frequentemente iluminada por extensas faixas de neon colorido.

Comparação de Chongqing com uma cidade cyberpunk fictícia do filme 'Blade Runner', um dos principais marcos desse gênero (Foto: Maple Doctor / Wikimedia Commons / Divulgação / IMDb)Comparação de Chongqing com uma cidade cyberpunk fictícia do filme ‘Blade Runner’, um dos principais marcos desse gênero (Foto: Maple Doctor / Wikimedia Commons / Divulgação / IMDb)

As luzes neon, tão características das cidades cyberpunk, não são um acaso; a própria prefeitura enfatiza sua instalação como uma marca registrada de Chongqing.

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Também chamadas de Zishui Xiaodeng, algo como “lanternas noturnas refletidas na água”, as luzes são destaques em festivais. Cada prédio, ponte e até templo recebe suas próprias faixas luminosas.

Pavilhão Hong'en à noite (Foto: HMGiovanniV / Wikimedia Commmons)Pavilhão Hong’en à noite (Foto: HMGiovanniV / Wikimedia Commmons)

Não bastassem as luzes, a cidade possui uma densidade gigantesca de prédios, sendo uma das mais verticalizadas do mundo. Porém, a razão para isso é antiga: a região possui poucas áreas planas e, para maximizar o espaço disponível, o ideal era verticalizar o máximo possível.

Integração tecnológica

Além da arquitetura, o futurismo se integra à cidade pela tecnologia. O exemplo mais claro disso é a malha ferroviária. Enquanto São Paulo inaugura seu primeiro monotrilho em 2026, Chongqing já é cortada por vários deles.

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A cidade é conhecida por seus monotrilhos, que passam por dentro de prédios comerciais e residenciais, aproveitando ao máximo o espaço disponível.

Trem da linha 2 atravessando a estação de Liziba (Foto: Junyi Lou / Wikimedia Commons)Trem da linha 2 atravessando a estação de Liziba (Foto: Junyi Lou / Wikimedia Commons)

Além disso, a cidade sedia o Centro de Demonstração de Aplicações de Robótica e IA, que já demonstrou mais de uma centena de robôs diferentes. Um dos focos da administração local é atrair investimento em “embodied AI”, atraindo operações de robótica humanoide e financiando projetos nessa área.

Essa camada tecnológica também aparece na mobilidade. Chongqing foi incluída entre as primeiras cidades-piloto chinesas de integração “vehicle-road-cloud”; no fim de 2024, já operava uma plataforma municipal com dados em tempo real de 559 equipamentos viários e 5.859 veículos conectados.

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Em 2026, a montadora Changan, sediada em Chongqing, recebeu licenças L4 para testes totalmente sem motorista em áreas da cidade, reforçando essa imagem futurista (Foto: Quzhouliulian / Wikimedia Commons)Em 2026, a montadora Changan, sediada em Chongqing, recebeu licenças L4 para testes totalmente sem motorista em áreas da cidade, reforçando essa imagem futurista (Foto: Quzhouliulian / Wikimedia Commons)

O que é cyberpunk?

O cyberpunk é um subgênero da ficção científica distópica, ou seja, observa um mundo futurista disfuncional. Essas obras retratam futuros marcados por alta tecnologia, pessimismo e péssima qualidade de vida.

As cidades se tornam hiperpopulosas e carregadas de tecnologia e prédios, enquanto a população é afogada em poluição, desigualdade e desesperança (Foto: Divulgação / IMDb)As cidades se tornam hiperpopulosas e carregadas de tecnologia e prédios, enquanto a população é afogada em poluição, desigualdade e desesperança (Foto: Divulgação / IMDb)

Esse é um futuro em que a humanidade se tornou um produto em si mesma. As grandes empresas se fundiram em megacorporações com mais poder do que os estados nacionais. Em sua onipotência, elas são barradas apenas pelo poder de suas próprias concorrentes, com as quais formam cartéis corporativos.

O mundo virtual e tecnológico se torna cada vez mais integrado ao ser humano, às vezes de forma literal, servindo como mecanismo para fugir de uma realidade quebrada.

O subgênero já se manifestou em diversas mídia e têm nomes de peso: Akira e Ghost in the Shell (animação), Blade Runner (filme live-action), Neuromancer (literatura), Cyberunk 2077 (jogos) e Shadowrun (RPG) (Foto: Divulgação / IMDb)O subgênero já se manifestou em diversas mídias e tem nomes de peso: Akira e Ghost in the Shell (animação), Blade Runner (filme live-action), Neuromancer (literatura), Cyberpunk 2077 (jogos) e Shadowrun (RPG) (Foto: Divulgação / IMDb)