A Revoada dos Guarás é um fenômeno da natureza que acontece no fim da tarde, quando centenas de aves de plumagem vermelha retornam aos manguezais onde vivem para passar a noite. O fenômeno pode ser observado com mais intensidade na APA do Delta do Parnaíba, na região de Ilha Grande, no Piauí.
Com o pôr do sol alaranjado, o verde dos manguezais e o azul do céu como pano de fundo, a revoada cria uma cena impressionante, capaz de emocionar quem presencia o espetáculo.
O passeio costuma ser feito de lancha e inclui paradas em outras atrações do delta.
Veja também: por que a plumagem do guará tão vermelha
Quando acontece a Revoada dos Guarás
A revoada ocorre diariamente perto do pôr do sol, que pode acontecer entre 17h e 18h, dependendo da época do ano.
O fenômeno pode ser observado durante todo o ano, mas o período considerado ideal vai de julho a dezembro.
Nessa época, a estação mais seca favorece o céu aberto e a visibilidade durante o passeio, além de haver maior concentração de aves.
Como funciona o passeio de lancha
O passeio é feito em embarcações a motor, principalmente lanchas rápidas, que conseguem navegar pelos rios e igarapés do Delta do Parnaíba. O roteiro e os valores variam de acordo com a agência.
Segundo as informações das operadoras José do Delta (@josedodelta), Delta Experiences (@deltaexperiences) e Delta Rio Parnaíba Turismo (@deltarioparnaiba), consultadas pela Gazeta, os passeios ficam na faixa de R$ 150 a R$ 200.
Os roteiros têm cerca de quatro horas e, em comum, incluem:
- Navegação pelo Delta
- Passagem por rios e/ou igarapés
- Visita às dunas do Morro do Meio
- Parada para banho na região da Baía do Caju
- Observação da revoada no fim da tarde.
Além do valor do passeio, é necessário pagar R$ 10 de taxa de turismo. O almoço não está incluído nas opções das três operadoras citadas.
Para quem busca uma experiência exclusiva, também existem pacotes privativos, com lancha reservada para grupos, que podem chegar a R$ 700.
O ponto de encontro dos passeios fica no Porto dos Tatus, em Ilha Grande, no Piauí. Também há opções de pacotes que incluem outras experiências pelo Delta do Parnaíba.
O que saber antes de embarcar
Para fotografar as aves, vale levar uma câmera com bom zoom ou um celular com estabilização. As embarcações mantêm distância dos animais e pedem silêncio aos turistas para evitar interferências durante a observação.
Também é recomendado usar roupas leves, levar um corta-vento por causa da velocidade das lanchas e ter repelente à mão nos momentos de desembarque ou de menor velocidade nos manguezais.

Por que os guarás fazem a revoada
O guará (Eudocimus ruber) é uma ave que vive em áreas de manguezal e costuma dormir e se reproduzir em grupos. Sua plumagem vermelha está relacionada à alimentação, que inclui animais ricos em pigmentos responsáveis pela coloração das penas.
Durante o dia, os guarás ficam espalhados pelos manguezais e lodaçais em busca de alimento. No fim da tarde, voltam a se reunir em bandos e seguem para as ilhas onde passam a noite.
A Revoada dos Guarás no Brasil pode acontecer nos Lençóis Maranhenses ou na Baía de Guaratuba, mas é no Delta do Parnaíba que há maior concentração de aves e mais atrações nos arredores.
Manto tupinambá
A beleza das penas vermelho vivo dos guarás também encantava os indígenas. O antigos povos tupinambás usavam as penas das aves na confecção dos mantos sagrados, utilizados em rituais pelas lideranças das tribos.
Os mantos tupinambás são obras raras – há apenas 11 deles conhecidos em todo o mundo. Durante os séculos 16 e 17, no período colonial, vários exemplares foram levados para a Europa e mantidos em museus.
Em julho de 2024, um manto do fim do século 17 foi repatriado pelo Brasil após ser doado pelo governo da Dinamarca. A peça, de mais de 300 anos, foi usada para repor o acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, que foi destruído no incêndio de 2018.





