Cidade brasileira com menos de 10 mil habitantes trava batalha contra dunas gigantes que avançam sobre casas

Ilha no litoral do Piauí convive com o avanço natural das formações de areia, mas que são fundamentais para o equilíbrio ambiental da região

Ilha Grande, Piauí

Município de Ilha Grande, no litoral do Piauí, precisa adotar medidas para controlar o deslocamento das formações arenosas/Reprodução/YouTube Chico Rasta

Uma cidade brasileira com menos de 10 mil habitantes convive com um fenômeno que parece cenário de filme: gigantescas dunas de areia avançam em direção ao perímetro urbano e ameaçam casas e estabelecimentos comerciais.

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O município de Ilha Grande, no litoral do Piauí, precisa adotar medidas para controlar o deslocamento das formações arenosas, provocado principalmente pela ação dos ventos.

Segundo o IBGE, Ilha Grande tinha 9.274 habitantes no Censo 2022 e população estimada em 9.522 pessoas em 2025.

O problema, entretanto, não é novo. Registros oficiais mostram que o poder público já realiza intervenções para tentar controlar o avanço das dunas há pelo menos uma década.

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Em 2015, uma ação apoiada pelo então Ministério da Integração Nacional abrangia 131 hectares no município.

O objetivo era impedir que as montanhas de areia criadas pelos processos eólicos avançassem sobre residências e estabelecimentos comerciais do perímetro urbano. Na época, a obra estava 99% executada e havia recebido investimento de R$ 2,1 milhões.

Dunas se foram na disputa entre cidade e natureza

O avanço das dunas é resultado de um processo natural. O vento transporta os grãos de areia e modifica continuamente o desenho da paisagem.

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Quando esse deslocamento acontece próximo a áreas ocupadas, porém, o fenômeno deixa de ser apenas uma característica geográfica e passa a representar um desafio para moradores e autoridades.

Pesquisas acadêmicas sobre a região também registram que, em Ilha Grande, a proximidade das residências com os campos de dunas móveis favorece a entrada das formações arenosas no espaço urbano.

Para reduzir esse deslocamento, uma das técnicas empregadas é a biocobertura, que utiliza materiais vegetais e o plantio de espécies capazes de ajudar na fixação da areia.

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Documentos oficiais descrevem ações com fibras de manta de coco, vegetação e isolamento das áreas para controlar o movimento das dunas.

A própria comunidade também participa de iniciativas de contenção. Um plano de desenvolvimento turístico elaborado para o município registra ações realizadas desde 2017 com palhas de coqueiro e plantio de espécies nativas, em uma parceria entre moradores, poder público e voluntários.

Dunas também protegem a região

Apesar de representarem uma ameaça quando avançam sobre áreas urbanizadas, as dunas não são simplesmente um problema ambiental a ser eliminado.

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As formações exercem funções importantes no litoral. Elas ajudam a proteger contra a erosão costeira, dificultam a entrada de água salgada nos lençóis freáticos e funcionam como uma barreira natural diante do mar.

Por isso, o objetivo das intervenções não é retirar as dunas, mas controlar seu avanço em pontos onde elas podem atingir áreas ocupadas.

Ilha Grande está inserida na Área de Proteção Ambiental Delta do Parnaíba, uma extensa área protegida que reúne ambientes como dunas, manguezais, rios e praias.

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Porta de entrada para o Delta do Parnaíba

A cidade também ocupa uma posição estratégica para o turismo do Piauí. É de Ilha Grande que partem muitos dos passeios pelo Delta do Parnaíba, um dos principais cartões-postais do litoral nordestino.

O Porto dos Tatus é o principal ponto de saída das embarcações que percorrem os diferentes braços do Delta. Entre os cenários encontrados durante os passeios estão manguezais, rios, igarapés e enormes formações de areia.

Um dos pontos de destaque é o chamado Morro Branco, onde as dunas chegam até o Rio dos Tatus. A região também permite atividades como caminhadas pelas dunas e sandboard.

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Assim, Ilha Grande vive uma situação curiosa: as mesmas dunas que ajudam a formar uma das paisagens naturais mais impressionantes do litoral piauiense também exigem trabalho constante para que não avancem sobre as áreas ocupadas pela população.

A batalha, portanto, não é contra a existência das montanhas de areia, mas contra o deslocamento delas para locais onde podem causar prejuízos e colocar imóveis e atividades urbanas em risco.

Como chegar em Ilha Grande saindo de São Paulo

De avião: a opção mais rápida é voar de São Paulo até Parnaíba, cidade que conta com aeroporto e fica próxima de Ilha Grande. Como não há voo direto entre São Paulo e Parnaíba, é necessário fazer conexão. De lá, o visitante pode seguir de carro, táxi ou transporte por aplicativo até Ilha Grande e o Porto dos Tatus.

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De carro: a viagem entre São Paulo e Ilha Grande tem aproximadamente 2.900 quilômetros e pode passar de 35 horas de estrada, dependendo da rota e das paradas. Uma alternativa é dirigir até Parnaíba e, depois, percorrer o trecho final até Ilha Grande, que fica a poucos quilômetros de distância.

De ônibus: também é possível viajar de ônibus a partir do Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo, com destino a Parnaíba. O percurso, porém, é bastante demorado e pode superar dois dias, dependendo das conexões. Em Parnaíba, há transporte local para Ilha Grande e para o Porto dos Tatus, ponto de partida dos passeios pelo Delta do Parnaíba.