A Praia do Tombo, em Guarujá, no litoral de São Paulo, conquistou pela 17ª vez consecutiva a certificação internacional Bandeira Azul. O reconhecimento, válido para a temporada 2026/2027, mantém o destino como a única praia do continente a receber o selo por tantos anos seguidos, segundo a Prefeitura.
A cerimônia nacional de entrega da premiação será realizada nesta sexta-feira (6), no Iate Clube de Santa Catarina – Veleiros da Ilha, em Florianópolis. Além da praia guarujaense, o Iate Clube de Santos, também localizado em Guarujá, renovou a certificação na categoria Marinas pela quinta temporada consecutiva.
Concedido pela organização internacional Foundation for Environmental Education (FEE), com sede na Dinamarca, o selo reconhece destinos que atendem a critérios rigorosos de qualidade ambiental, segurança, infraestrutura e sustentabilidade.
Para conquistar a certificação, a Praia do Tombo precisou cumprir 38 critérios e passar pela avaliação de júris nacional e internacional.
O que é a Bandeira Azul?
A Bandeira Azul é uma certificação internacional concedida a praias, marinas e embarcações de turismo que demonstram compromisso com a preservação ambiental e o turismo sustentável.
O programa foi criado pela Foundation for Environmental Education (FEE), organização não governamental com sede na Dinamarca, e está presente em mais de 50 países.
No Brasil, a iniciativa é coordenada pelo Instituto Ambientes em Rede (IAR), responsável por acompanhar as candidaturas e articular a avaliação dos destinos.
O reconhecimento não considera apenas a aparência da praia ou a limpeza da areia. Para receber a bandeira, o local precisa comprovar que mantém boas condições de qualidade da água, gestão ambiental, segurança, acessibilidade e educação ambiental.
Os critérios são divididos em quatro grandes áreas:
- Educação e informação ambiental: divulgação de informações sobre a natureza local, atividades educativas e conscientização dos visitantes;
- Qualidade da água: monitoramento frequente e cumprimento de padrões rigorosos de balneabilidade;
- Gestão ambiental: limpeza, coleta de resíduos, infraestrutura adequada e preservação dos ecossistemas;
- Segurança e serviços: estrutura de salvamento, primeiros socorros, acessibilidade e condições adequadas para receber os visitantes.
Como uma praia consegue manter a Bandeira Azul?
Conquistar a certificação é apenas uma parte do processo. Para continuar com o reconhecimento, a praia precisa demonstrar, a cada temporada, que mantém os padrões exigidos pelo programa.
Isso significa que a Prefeitura e os responsáveis pela gestão local precisam desenvolver ações permanentes de preservação, monitoramento da água, manutenção da infraestrutura e conscientização ambiental.
Um dos pontos mais importantes é a qualidade da água do mar. Para receber a Bandeira Azul, não basta que a praia seja classificada como própria para banho: ela precisa apresentar resultados considerados excelentes pelos parâmetros internacionais.
O programa exige análises microbiológicas e físico-químicas, incluindo a verificação de bactérias como Escherichia coli e enterococos. Durante a temporada, as coletas precisam ocorrer em intervalos regulares, com no máximo 30 dias entre as amostras.
Também são avaliadas as condições da areia, dos acessos, das áreas de estacionamento, das instalações sanitárias e dos espaços de circulação. A praia precisa permanecer limpa e oferecer condições adequadas para diferentes públicos, incluindo pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Outro requisito é a realização de atividades de educação ambiental para moradores e turistas, além da divulgação de informações sobre os ecossistemas e as características naturais da região.
Quem fiscaliza e decide se a praia merece o selo?
A certificação não é concedida exclusivamente pela Prefeitura. O processo envolve diferentes instituições e etapas de avaliação. A Foundation for Environmental Education (FEE) é a organização internacional responsável pelo programa. No Brasil, o Instituto Ambientes em Rede (IAR) atua como coordenador nacional.
As candidaturas passam primeiro pelo Júri Nacional, formado por representantes de órgãos públicos, instituições ambientais e entidades ligadas ao turismo e à segurança aquática. Depois, os destinos aprovados são encaminhados ao Júri Internacional, que faz a avaliação final.
Além disso, cada praia certificada precisa contar com um Comitê Gestor local, responsável por acompanhar o cumprimento dos critérios e promover auditorias ambientais regulares em parceria com a Prefeitura e o IAR.
Na prática, isso significa que a manutenção da bandeira depende de um trabalho conjunto entre poder público, entidades ambientais, representantes da sociedade civil e comunidade local.
Em São Paulo, a CETESB também tem papel importante no monitoramento da balneabilidade das praias, com análises periódicas da qualidade da água do mar. Caso os critérios deixem de ser cumpridos, a bandeira pode ser retirada temporariamente ou a praia pode perder o direito à certificação na temporada seguinte.
Como os turistas podem ajudar a manter a Bandeira Azul?
A preservação de uma praia certificada não depende apenas da administração municipal. Os visitantes também têm responsabilidade sobre a conservação do ambiente.
Algumas atitudes simples ajudam a manter as condições ambientais exigidas pelo programa:
- Não deixe lixo na areia: leve uma sacola para guardar embalagens, restos de alimentos e outros resíduos até encontrar uma lixeira;
- Descarte corretamente bitucas de cigarro: pequenas pontas também são resíduos poluentes e podem chegar ao mar;
- Respeite a fauna e a vegetação: não retire animais, plantas, conchas ou outros elementos naturais e evite interferir nos ambientes de preservação;
- Respeite as regras para animais de estimação: verifique se a presença de cães e outros animais é permitida e siga as orientações de circulação;
- Não faça fogueiras ou acampamentos em locais proibidos: essas atividades podem provocar danos ambientais e oferecer riscos aos visitantes;
- Evite o uso de veículos na areia: respeite as áreas delimitadas e as regras de circulação;
- Não descarte óleo, produtos químicos ou qualquer tipo de resíduo no mar: substâncias contaminantes prejudicam a qualidade da água e a vida marinha;
- Respeite as orientações de segurança: siga as sinalizações, as indicações dos guarda-vidas e as recomendações sobre as condições do mar.
Também é importante acompanhar os boletins de balneabilidade antes de entrar na água. Chuvas fortes podem comprometer temporariamente a qualidade do mar, mesmo em praias que possuem certificação ambiental.
Caso o visitante identifique descarte irregular de resíduos, possível lançamento de esgoto ou outra situação que ameace o ambiente, deve comunicar os órgãos responsáveis pela fiscalização.
Praia do Tombo é destaque internacional
Com 856 metros de extensão, a Praia do Tombo é conhecida pelas ondas fortes e constantes, característica que a tornou um dos principais pontos de surfe do litoral paulista. O local recebe campeonatos nacionais e internacionais da modalidade e também atrai visitantes interessados em atividades esportivas e de lazer.
Com a 17ª conquista consecutiva da Bandeira Azul, o destino reforça sua posição entre as referências brasileiras em turismo sustentável. Na temporada 2026/2027, o Brasil chegou a 75 destinos certificados pelo programa, sendo 63 praias e 12 marinas distribuídas por sete estados. O número representa crescimento de 25% em relação à temporada anterior.
O reconhecimento também marca os 20 anos do Programa Bandeira Azul no Brasil, coordenado pelo Instituto Ambientes em Rede desde 2006.









