Se você nasceu entre 1939 e 2000, provavelmente não chegará à idade que sonha

Estudo internacional mostra que gerações nascidas no último século dificilmente chegarão aos 100 anos

Pesquisadores revelam que o aumento da longevidade perdeu força e pode mudar o futuro das próximas gerações

Pesquisadores revelam que o aumento da longevidade perdeu força e pode mudar o futuro das próximas gerações | Freepik

Os cientistas trazem uma revelação incômoda: se você nasceu entre 1939 e 2000, as chances de chegar aos 100 anos são muito baixas. O dado vem de um estudo que analisou a expectativa de vida em países desenvolvidos.

Durante décadas, acreditou-se que a humanidade viveria cada vez mais. Mas agora, pesquisas mostram que esse crescimento não segue mais a mesma curva e pode ter chegado a um limite.

A análise, feita em 23 países de alta renda e publicada na revista científica PNAS, indica que nenhuma geração nascida antes de 2000 deve, em média, alcançar a marca simbólica de um século de vida.

O alerta dos pesquisadores

Em 2018, uma pesquisa mostrou que 71% dos franceses sonhavam em viver cem anos, desde que com saúde. Esse desejo, porém, parece distante. O estudo publicado na PNAS revela: “nossos resultados indicam de forma robusta e consistente uma desaceleração da expectativa de vida por coorte”.

A frase foi escrita pelos autores da pesquisa, que aplicaram seis métodos diferentes para prever a mortalidade por geração. O resultado foi unânime: o ritmo de aumento da longevidade está diminuindo, e a tendência não é animadora.

Antes, a expectativa de vida subia em média 0,46 ano a cada geração. Agora, esse ganho caiu entre 37% e 52%. Ou seja, o futuro centenário pode continuar sendo privilégio raro, e não uma realidade comum.

Por que estamos vivendo menos do que esperávamos?

O principal fator é que a mortalidade infantil já chegou a níveis tão baixos que não contribui mais para aumentar a média da expectativa de vida. Esse avanço, que impulsionou décadas anteriores, perdeu sua força.

Além disso, não basta investir em hospitais modernos ou manter bons hábitos. O desafio agora é ir além da medicina tradicional: entender os mecanismos biológicos do envelhecimento e agir cedo contra doenças ligadas à velhice.

Os cientistas reforçam também que será necessário enfrentar desigualdades sociais em saúde, reformar sistemas de aposentadoria e adaptar políticas públicas. Ao mesmo tempo, cada indivíduo terá de rever suas escolhas de vida e planejamento para o futuro.

Os números que reforçam a tendência

Entre 1971 e 2021, a expectativa de vida mundial subiu de 58 para 71 anos, segundo o Banco Mundial. O salto é impressionante, mas os dados atuais sugerem que esse ritmo não deve se repetir nas próximas décadas.

Na França, onde a longevidade é das mais altas do mundo, a expectativa de vida em 2024 era de 85,6 anos para mulheres e 80 anos para homens. Mesmo assim, chegar aos 100 continua sendo exceção, não regra.

Há, porém, uma boa notícia: as mulheres, além de viverem mais, devem passar mais anos em boa saúde. Um alívio diante da constatação de que as futuras gerações talvez nunca soprem suas 100 velas.