Carro voador brasileiro faz 1º voo histórico em SP e deve circular em 2027

Voo inaugural do eVTOL, no interior paulista, abre caminho para o uso comercial

Protótipo do carro voador realizou seu primeiro teste aéreo no interior de São Paulo

Protótipo da Eve realizou o primeiro teste aéreo e inicia fase decisiva do projeto | Divulgação/Eve

O futuro da mobilidade aérea urbana ganhou forma com seu primeiro voo nesta sexta-feira (19/12). O protótipo do chamado carro voador desenvolvido pela Eve Air Mobility, empresa controlada pela Embraer, realizou seu primeiro teste aéreo no interior de São Paulo.

 A aeronave é produzida em Taubaté, no Vale do Paraíba, e deu início a uma nova fase do projeto.

O voo aconteceu logo no começo da manhã, na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, que abriga a maior pista de aviação do hemisfério sul.

Segundo a empresa, a operação marca a estreia oficial do eVTOL, sigla para veículos elétricos de decolagem e pouso vertical, fora do papel e inaugura a etapa de testes em voo, fundamental antes da certificação pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Resultado do teste

Durante o teste, engenheiros acompanharam de perto o desempenho dos oito propulsores elétricos, o sistema de gerenciamento de energia e o nível de ruído da aeronave.

O comportamento do protótipo, de acordo com a Eve, foi exatamente o esperado para esse estágio do desenvolvimento.

A empresa prevê a construção de seis protótipos ao longo da campanha de testes.

Após os voos iniciais em modo pairado, o plano é avançar gradualmente para manobras mais complexas, até alcançar voos completos nos próximos anos. Essa etapa deve se estender até 2026.

Futuro

Embora ainda soe futurista, o carro voador já tem endereço certo: ele é fabricado em Taubaté, em uma planta com capacidade para produzir até 480 unidades por ano.

Mesmo assim, o início das operações comerciais está previsto apenas para 2027, após a conclusão dos testes e a obtenção das autorizações regulatórias.

O eVTOL é projetado para transportar até cinco pessoas – quatro passageiros e um piloto – e tem autonomia de cerca de 100 quilômetros.

A proposta é atender trajetos urbanos e regionais curtos, como ligações entre cidades vizinhas, aeroportos e centros comerciais. A demanda, segundo a empresa, já existe: cerca de 3 mil unidades foram encomendadas.

A Eve aposta alto no novo mercado. A projeção é que, até 2045, a frota global de eVTOLs chegue a 30 mil aeronaves, com potencial para transportar mais de 3 bilhões de passageiros ao longo desse período.

A estimativa de receita com vendas e operações chega a US$ 280 bilhões, o equivalente a mais de R$ 1,5 trilhão.

No início deste mês, a empresa recebeu um reforço financeiro do BNDES: um empréstimo de R$ 200 milhões.

Os recursos estão sendo usados na integração dos motores elétricos e na campanha de testes necessária para a certificação do veículo, um passo decisivo para transformar o carro voador em parte do dia a dia das cidades brasileiras.