As obras de ampliação do Aeroporto de Congonhas somam mais de R$ 2 bilhões em investimentos e deverão ser concluídas até junho de 2028, quando o espaço vai oferecer voo internacionais, afirma Aena, concessionária do aeródromo.
Por outro lado, a justiça determinou que o prédio da antiga Viação Aérea São Paulo (Vasp) não seja devolvido para a União — consequentemente ao aeroporto. O local é estratégico para a implementação dos novos serviços, porém, a concessionária afirma que a decisão recente não interfere o cronograma das obras.
Voos internacionais
Quem passar pela avenida Washington Luís, na Vila Congonhas, consegue reparar na movimentação de caminhões de demolição na pista. O barulho se trata da reforma no valor de R$ 2,4 bilhões do aeroporto paulistano que será finalizada em junho de 2028.
“O projeto contempla, entre outras melhorias, a construção de um novo terminal de passageiros, ampliação das pontes de embarque das atuais 12 para 19, novo pátio de estacionamento de aeronaves, novos hangares para as companhias aéreas e melhorias da eficiência operacional”, afirmou a Aena, maior operadora portuária do mundo.
Dois anos após assumir o aeródromo paulistano, a empresa iniciou a reforma para o espaço oferecer voos internacionais como Santiago (Chile), Buenos Aires (Argentina) ou Montevidéu (Uruguai).
Até o momento, foi inaugurada a estrutura provisória da área de embarque remoto de passageiros no piso inferior do terminal. O espaço dos portões 13 a 22 foi ampliado de 1,4 mil m² para 3,3 mil m² quadrados, com investimento total de R$ 30 milhões.
As obras buscam facilitar a vida dos passageiros e melhorar a organização. Para a professora Mônicas Buss que viaja todo o ano pelo aeroporto, a sensação ao descer do avião é de estar em uma rodoviária.
“Recentemente eu estive em rodoviárias do Paraná. Tanto em Curitiba, que é a capital, quanto em Maringá, que é a terceira maior cidade, e tas duas estavam muito mais organizadas do que aqui”, afirmou enquanto chegava na área de desembarque.
Atrás somente do Aeroporto de Guarulhos, Congonhas possui a segunda maior circulação de pessoas no Brasil. Foram cerca de 1,9 milhão de viajantes durante o primeiro semestre de 2025, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Prédio anexo da Vasp
Em frente ao aeroporto, na Praça Comandante Lineu Gomes, esquina com a avenida Washington Luís, fica o prédio da falecida empresa Vasp que virou alvo de discussão na 1ª Câmara de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo.
O judiciário negou o recurso da União e da Aena contra a empresa área falida. Em resumo, as solicitantes reivindicaram a posse do imóvel alegando que o terreno pertence a União por conta de um documento que previa a devolução do prédio depois do fim do acordo.
Porém, a justiça entendeu que o prédio abandonado nunca foi usado para “serviços essenciais” do aeroporto, e por isso, não pode voltar para a União somente por estar em frente aeródromo. Ou seja, fica sob a gestão do juízo da falência.
“A área da antiga Vasp é importante para a implantação de novos serviços e instalações voltados ao atendimento a todos os usuários, incluindo passageiros e companhias aéreas”, afirmou a Aena.
Mesmo assim, a concessionária afirmou que a decisão recente da Justiça não impacta o cronograma das obras, que segue conforme o previsto. Já em 2026, prevê a inauguração de uma nova praça pick-up para o embarque de passageiros em veículos de aplicativos.
“Com cerca de 70 vagas de parada, o local ficará na cobertura do atual edifício garagem, com acesso facilitado aos passageiros logo após a saída do desembarque de voos”, explicou a engenharia dos dois novos viadutos de acesso.
O que vai ser feito e como vai ser feito?
A construtora responsável pela execução das obras, HTB dividiu a construção em seis fases. A primeira terá duração de 16 meses:
- Entrega de hangares provisórios das companhias aéreas;
- Novos terminais de carga;
- Intervenções nas pistas de taxiamento de aeronaves e;
- Construção de hangares definitivos.
A segunda etapa durará cinco meses:
- Início da construção do píer do novo terminal de passageiros;
- Revitalização e adaptação do hangar tombado;
- Instalação de duas novas esteiras de bagagens.
Com o mesmo tempo de duração, a terceira fase contará com:
- Início da montagem de pontes de embarque do novo píer;
- Início da montagem do novo sistema de controle e processamento de bagagens;
- Conclusão da nova saída rápida da pista 35L;
- Instalação de quatro novas esteiras de bagagens.
Na quarta fase, com duração de mais cinco meses, as obras no pátio remoto e ampliação da área de desembarque serão finalizadas. Depois, está previsto o início da instalação da sétima esteira de restituição de bagagens.
Sem previsão de tempo, a quinta fase começa a entregar para o público as construções finalizadas do novo terminal de passageiros, 16 das 19 novas pontes de embarque, pátio do pavilhão de autoridades e pavimentação das pistas de taxiamento.
Na sexta e última fase, prevista para a finalização e entrega das obras em junho de 2028, acontece a homologação da Anac, instalação das companhias aéreas, lojas e restaurantes e início das operações do novo terminal.



