A polêmica envolvendo a campanha publicitária da Havaianas chegou ao varejo e ganhou repercussão nas redes sociais. Em Brusque, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, a loja Calçados Guarani anunciou o boicote à marca e colocou à venda pares de chinelos por R$ 1. O estoque se esgotou em poucas horas.
A reação ocorreu após a divulgação de um comercial em que a atriz Fernanda Torres diz que 2026 não deve começar “com o pé direito”, mas “com os dois pés”, frase que gerou críticas de políticos e influenciadores ligados à direita.
Entre domingo (21/12) e segunda-feira (22/12), parlamentares como Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira se manifestaram nas redes sociais associando a campanha a uma suposta posição ideológica da marca.
Boicote da loja
Em publicação no Instagram, o estabelecimento informou que deixará de comercializar produtos da Havaianas por tempo indeterminado.
Segundo a loja, a decisão foi motivada pelo descontentamento com a campanha estrelada pela atriz Fernanda Torres, interpretada por grupos conservadores como uma provocação de cunho político.
“Não vamos mais trabalhar com a marca devido à provocação à população conservadora, da qual fazemos parte”, afirmou a empresa.
Além de anunciar a liquidação dos chinelos, a loja passou a divulgar produtos de marcas concorrentes. Nos comentários das publicações, consumidores relataram frustração por não conseguirem comprar os produtos da Havaianas devido ao rápido esgotamento, enquanto outros questionaram a eficácia do boicote.
Repercussão
A repercussão também alcançou o mercado financeiro. Na segunda-feira, as ações da Alpargatas, controladora da Havaianas, registraram queda de 2,4% na B3, o que representou uma perda estimada de R$ 152 milhões em valor de mercado. No pregão seguinte, os papéis passaram por recuperação e operavam em alta.
Internautas também relembraram de outra ação da marca feita em 2014, antes da Copa do Mundo do Brasil, em que o ex-jogador Romário aparece calçando apenas o pé direito do chinelo. O esquerdo ele envia para Diego Maradona, ídolo maior do futebol argentino, como uma forma de dar “azar” aos ‘hermanos’.
A principal concorrente da marca, a Ipanema, também sentiu os reflexos da controvérsia. Dados de monitoramento de redes sociais indicam um crescimento expressivo no número de seguidores da empresa, impulsionado por usuários que declararam intenção de trocar de marca após a polêmica.
