O governo do Estado vai injetar quase R$ 3,7 bilhões extras para concluir a primeira etapa de entregas da Linha 6-Laranja, do metrô, até outubro de 2026. A expectativa é que a obra sirva de palanque político para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que deve concorrer à reeleição.
O valor foi firmado no último dia 19 de dezembro pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), que identificou a necessidade de um novo reequilíbrio econômico-financeiro em favor da Concessionária Linha Universidade S/A.
O total destinado é de R$ 3.692.726.066,99 (R$ 3,69 bilhões), em valores de março de 2025, resultado da combinação de atrasos causados por riscos identificados ao longo da obra e da adoção de um “cronograma acelerado” alinhado à gestão Tarcísio.
A Linha Uni será beneficiada com um valor cerca de 15 vezes maior do que os R$ 230 milhões originalmente previstos.
Obras em atraso
A liberação foi aprovada em deliberação do conselho diretor da Artesp e assinada pelo diretor-presidente André Isper Rodrigues Barnabé, conforme apuração do colunista Demetrio Vecchiolli, do portal Metrópoles.
Segundo a concessionária, caso o ritmo originalmente contratado fosse mantido, a conclusão da Linha 6–Laranja ocorreria apenas em outubro de 2028, três anos após a data inicialmente programada, de outubro de 2025.
O atraso foi reconhecido pelo governo do Estado ainda em 2024, quando passaram as negociações para a adoção de um cronograma acelerado.
Alguns trechos já estão em fase de conclusão com a estação Água Branca, que em um levantamento anterior estava com mais de 90% de conclusão.
Pelo novo planejamento, os primeiros trens devem começar a operar no trecho entre Brasilândia e a estação Perdizes em outubro de 2026, um ano depois da previsão inicial, mas dois anos antes do prazo revisto.
A conclusão total da linha passou a ser prevista para outubro de 2027. Em julho de 2024, segundo documento acessado pelo jornalista, o governo estadual informou não ter objeções ao cronograma apresentado pela concessionária.
Além de reconhecer a fatura de R$ 3,69 bilhões, a Artesp recomendou a adoção de medidas para a realização de um estudo de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato e para a formalização de um Termo Aditivo Modificativo.
Esse aditivo deverá definir de que forma será feita a recomposição do desequilíbrio contratual, incluindo os mecanismos de pagamento à concessionária.
O montante reconhecido é significativo quando comparado aos repasses já realizados pelo Estado. Desde o início do contrato com a Linha Uni, em 2020, até setembro do ano passado, o governo paulista transferiu R$ 5,6 bilhões à concessionária para a execução das obras da Linha 6–Laranja.
