O comentário ácido de um dos concorrentes de O Agente Secreto na corrida pelo Oscar acabou esbarrando nos números, e eles contam uma história bem diferente da provocação.
O diretor espanhol Oliver Laxe, cujo filme Sirât disputa a categoria de melhor filme internacional, ironizou a presença brasileira na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood ao sugerir que os membros do país votariam “em qualquer coisa”, movidos por um suposto nacionalismo.
A fala rapidamente repercutiu, mas dados oficiais da própria Academia colocam a declaração em xeque.
Hoje, a Academia tem cerca de 10.900 integrantes, dos quais aproximadamente 9.900 estão aptos a votar no Oscar.
Dentro desse universo, o Brasil conta com cerca de 70 votantes, menos de 0,7% do total.
Ou seja, mesmo que todos os brasileiros votassem de forma unificada, o impacto numérico seria mínimo diante do colégio eleitoral global que define os vencedores da maior premiação do cinema.
A composição da Academia é formada por profissionais da indústria cinematográfica, como atores, diretores, roteiristas e produtores.
A entrada não ocorre por inscrição direta: os candidatos precisam ser indicados por dois membros da mesma área e passam por avaliação interna.
Indicações ao Oscar também colocam os profissionais no radar da instituição, mas não garantem automaticamente o direito a voto.
Entre os brasileiros aptos a votar estão nomes de peso do cinema nacional e internacional, como Fernanda Torres, Sonia Braga, Alice Braga, Maeve Jinkings, Rodrigo Santoro, Wagner Moura, Selton Mello, além de diretores como Walter Salles, Fernando Meirelles, Anna Muylaert e Kleber Mendonça Filho, este último, inclusive, diretor de O Agente Secreto.
A fala de Laxe, no entanto, não passou despercebida nas redes sociais.
Após a entrevista viralizar, o perfil oficial de Sirât foi inundado por comentários de brasileiros, muitos deles em tom irônico, com emojis de sapato e mensagens sarcásticas que faziam referência direta à provocação do cineasta.
Enquanto a disputa pelo Oscar segue aberta, o episódio escancara como a corrida pela estatueta também se desenrola fora das telas, com declarações, reações e números que ajudam a separar discurso de realidade.
