Um jovem indiano de cerca de 20 anos é investigado pela polícia após amputar o próprio pé, supostamente para tentar se enquadrar na cota para pessoas com deficiência e obter vaga em faculdade pública de Medicina.
O caso veio a público nesta segunda-feira (26/1) e gerou repercussão nacional e debate sobre pressão acadêmica e fraude em processos seletivos.
Identificado como Suraj Bhaskar, o estudante havia sido reprovado duas vezes no exame nacional de acesso ao curso de Medicina, o NEET, principal porta de entrada para universidades públicas na Índia.
Versão de ataque foi contestada por laudo
O caso começou a ser apurado após o irmão do jovem procurar a polícia e relatar que ele teria sido atacado por desconhecidos. Segundo a versão inicial, a lesão teria ocorrido durante uma agressão.
A investigação mudou de rumo após exames médicos indicarem que o ferimento apresentava corte limpo e preciso, compatível com equipamento mecânico.
A avaliação técnica levantou suspeita de autolesão planejada, e não de violência externa.
Seringas e anotações reforçam suspeita
Durante a perícia no local, investigadores encontraram seringas, o que indica possível uso de anestésicos antes do procedimento.
Também foi localizado um diário com anotações pessoais, incluindo a frase “Serei médico formado em 2026”.
De acordo com a apuração, o conteúdo reforçou a linha de investigação de que a mutilação teria sido motivada por tentativa de acesso ao ensino superior por meio de reserva de vagas para pessoas com deficiência.
Tentativa de obter vaga por cota é investigada
A polícia avalia se houve intenção de fraude no sistema de cotas educacionais.
A suspeita é que o jovem tenha provocado a própria amputação para se qualificar como candidato elegível à reserva de vagas em cursos de Medicina.
Relatos reunidos na investigação indicam que ele demonstrava forte obsessão pelo ingresso na graduação médica após reprovações consecutivas no exame nacional.
O estudante está internado em um centro de trauma, sob cuidados médicos.
As autoridades avaliam quais crimes podem ser aplicados ao caso, já que a legislação enfrenta lacunas em situações de autolesão com finalidade de obtenção de vantagem educacional.
