A Acadêmicos do Tatuapé recebeu do governo federal R$ 200 mil para o Carnaval de 2026, ano em que a escola terá um enredo em homenagem ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
O valor vem do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD), que conta com financiamento a partir de multas pagas por danos causados ao patrimônio público e à sociedade.
De acordo com dados do Portal da Transparência, a verba foi liberada sob a rubrica de “Apoio a Projetos de Defesa Nacional” por meio de um convênio com o Ministério da Justiça. O documento do envio do montante consta no site com a data de 11 de agosto de 2025.
Segundo reportagem da revista Veja, o nexo financeiro pode ser oriundo e abastecido, entre outras fontes, por sanções aplicadas aos atos de 8 de janeiro, servindo como base para o repasse à agremiação, já que o FDD funciona como uma conta centralizadora de indenizações destinadas à reparação de danos coletivos e ao patrimônio público.
Os desfiles de abertura do Grupo Especial acontece nesta sexta-feira (13/2) e a Acadêmicos do Tatuapé será a quarta a se apresentar.
Punições de 2023 e o repasse inédito
Esta é a primeira vez em mais de sete décadas de história que a escola de samba da zona leste paulistana recebe recursos diretos da União para suas atividades.
A formalização da parceria ocorreu apenas dois dias após o lançamento do samba-enredo focado na luta pela reforma agrária popular.
Na prática, o capital arrecadado com as sanções aos atos antidemocráticos de 2023 acaba subsidiando a infraestrutura.
O governo federal justifica o repasse como uma forma de “reparação de danos” e promoção de direitos em territórios marcados pela violência e vulnerabilidade social.
À Veja, o presidente da Acadêmicos do Tatuapé, Eduardo dos Santos, disse que o dinheiro do Ministério da Justiça é destinado para cursos da agremiação e não com o desfile de Carnaval.
Resistência e denúncia na avenida
O desfile, intitulado “Planta para Colher e Alimentar”, pretende transformar a passarela do samba em um palco de denúncia contra a concentração de terras no Brasil.
A reportagem entrou em contato com a escola, porém ainda não recebeu retorno.
