Como Sete Quedas, uma das maiores cachoeiras do Brasil, foi submersa pela Usina de Itaipu

Uma das maiores formações naturais do mundo foi submersa em 1982, marcando um capítulo emblemático da história ambiental brasileira

Sete Quedas antes da inundação: um dos maiores espetáculos naturais do planeta.

Sete Quedas antes da inundação: um dos maiores espetáculos naturais do planeta. | Wikimedia Commons

Considerada uma das maiores cachoeiras do mundo em volume de água, a Cachoeira de Sete Quedas, no Paraná, foi submersa no início dos anos 1980 para a construção da Usina de Itaipu. O episódio tornou-se um símbolo do conflito entre desenvolvimento energético e preservação ambiental no Brasil.

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Apesar da altura, a Sete Quedas se destacava pelo volume de água que despencava dos paredões rochosos, estimado em 13.300 metros cúbicos por segundo. As Cataratas do Niágara, que ocupam o primeiro lugar com o maior volume d’água, tem metade do volume.

A construção de Itaipu e a submersão das quedas

Com o avanço das obras da Usina de Itaipu, considerada estratégica para o abastecimento energético do Brasil e do Paraguai, o fechamento das comportas em 1982 provocou a elevação do nível do rio Paraná.

A perda da cachoeira gerou forte comoção popular e críticas de ambientalistas, tornando-se um símbolo dos impactos causados por grandes obras de infraestrutura.

A destruição das Sete Quedas contou com a atuação direta do Exército Brasileiro. Soldados responsáveis pelas detonações que aceleraram o colapso das formações rochosas teriam registrado seus nomes em pedras do local.

Impactos socioambientais

Embora Itaipu seja hoje uma das maiores geradoras de energia limpa do mundo, o episódio permanece como um alerta sobre os custos ambientais e culturais do progresso.

O desaparecimento da cachoeira permanece como um dos episódios mais marcantes da história ambiental brasileira, lembrando que decisões voltadas ao progresso também deixam cicatrizes permanentes na paisagem e na memória coletiva.

Ao mesmo tempo em que a Usina de Itaipu se consolidou como referência mundial em geração de energia, a perda do monumento natural reforça a importância de equilibrar o desenvolvimento e preservação ambiental em grandes projetos de infraestrutura.