A cerimônia do Oscar é mundialmente reconhecida pela entrega das estatuetas douradas, mas um “prêmio” paralelo costuma gerar tanto comentário quanto a vitória: a luxuosa “Everyone Wins” Nominee Gift Bag, a famosa sacola de presentes entregue a indicados das principais categorias.
Avaliada entre US$ 100 mil e US$ 200 mil, cerca de R$ 1 milhão, ela funciona como um prêmio de consolação milionário, embora não tenha qualquer vínculo oficial com a Academia.
Diferentemente do que muitos imaginam, o kit não é distribuído pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences (AMPAS), mas sim organizado por uma empresa privada de marketing, a Distinctive Assets.
A cerimônia do Oscar 2026 já tem data e horário definidos: a 98ª edição da maior premiação do cinema mundial será realizada no domingo.
O que é a “Everyone Wins” e quem recebe a sacola
Criada e organizada por Lash Fary, fundador da Distinctive Assets, a sacola é uma estratégia de marketing de nicho. Marcas pagam taxas elevadas para incluir produtos e experiências no kit entregue a cerca de 25 indicados das categorias principais:
- Melhor Ator
- Melhor Atriz
- Melhor Ator Coadjuvante
- Melhor Atriz Coadjuvante
- Melhor Direção
Eventualmente, o apresentador da cerimônia também entra na lista.
Desde 2006, quando a Academia deixou de distribuir brindes oficiais após questionamentos da Receita Federal dos Estados Unidos (IRS) sobre tributação, a sacola da Distinctive Assets assumiu o protagonismo como o mimo mais comentado da temporada de premiações.
Para as marcas, o retorno pode ser enorme: basta que uma celebridade seja fotografada usando ou mencionando um dos itens para gerar publicidade global espontânea.
O que tem na gift bag do Oscar 2026?
O conteúdo varia a cada ano, mas mantém um padrão de luxo e excentricidade. A edição mais recente reúne três grandes categorias de brindes:
- Viagens e experiências exclusivas: pacotes para destinos paradisíacos costumam inflar o valor total do kit. Já foram oferecidas estadias em chalés suíços, retiros no Sri Lanka, resorts no Caribe e até hospedagem em um farol restaurado na Itália.
- Procedimentos estéticos e bem-estar: um dos tópicos mais comentados pela imprensa inclui vouchers para tratamentos de rejuvenescimento, microagulhamento, lipoaspiração de braço, transplante capilar, suplementos de longevidade e terapias do sono.
- Produtos de consumo e itens curiosos: tecnologia doméstica, bebidas premium, chocolates artesanais, adegas climatizadas e até itens inusitados.
Em anos anteriores, já foram incluídos terrenos simbólicos na Escócia (com direito ao título honorário de “Lorde” ou “Lady”), estrelas registradas com o nome do indicado e papel higiênico de luxo.
Valor real e impostos: nem tudo é lucro
Apesar das manchetes que falam em cifras superiores a US$ 200 mil, o valor divulgado corresponde à soma dos preços de varejo dos itens. Muitos dos brindes mais caros são vouchers e só se transformam em benefício real se forem utilizados.
Além disso, nos Estados Unidos, presentes desse tipo são considerados rendimentos tributáveis pelo IRS. Ou seja: se o indicado aceitar e usar os itens, deve declarar o valor como renda e pagar impostos. Por isso, alguns optam por recusar a sacola ou doar parte dos produtos.
Polêmicas e críticas ao luxo ostentação
O caráter extravagante da gift bag já gerou controvérsia. Em 2016, a Academia moveu uma ação judicial contra a Distinctive Assets por uso indevido da marca “Oscar” na divulgação dos brindes, reforçando que a iniciativa não é oficial.
Em períodos de crise econômica, o contraste entre viagens de luxo e tratamentos estéticos caríssimos também provoca críticas sobre a distância entre a elite de Hollywood e o público. Para amenizar a repercussão, os organizadores passaram a incluir itens de marcas sustentáveis, empresas lideradas por minorias e doações beneficentes em nome dos indicados.
Mesmo sem estatueta, os indicados ao Oscar dificilmente saem de mãos vazias.
