Caso Gisele: Tenente Coronel Geraldo Neto é preso acusado de feminicídio e fraude processual

Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi preso dentro do seu apartamento, em São José dos Campos

Tenente coronel Geraldo Neto foi preso na manhã desta quarta-feira (18/3)

Tenente coronel Geraldo Neto foi preso na manhã desta quarta-feira (18/3) | Reprodução/Instagram

O Tenente Coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi preso na manhã desta quarta-feira (18/3), indiciado por feminicídio e fraude processual.

Geraldo é acusado de matar a esposa soldado PM Gisele Alves Santana, com um tiro na cabeça e forjar o suicídio. Ele será levado ao presídio da Polícia Militar Romão Gomes.

O mandado de prisão foi cumprido às 8h17 desta quarta. Geraldo foi preso pela Corregedoria da Polícia Militar dentro do condomínio onde mora, em São José dos Campos, no Vale do Paraíba. 

De acordo com informações do programa Bom dia São Paulo, da TV Globo, o Tenente Coronel não ofereceu resistência na prisão.

Indiciamento

A decisão de solicitar a prisão foi tomada após a Polícia Técnico-Científica anexar ao processo laudos periciais relacionados ao caso.

Dois elementos identificados nesses documentos foram considerados determinantes para o pedido do delegado: a trajetória da bala que atingiu a cabeça da vítima e a profundidade dos ferimentos encontrados.

Com base nesses indícios, o delegado concluiu que não se tratava de suicídio. O pedido de prisão foi apresentado pela Polícia Civil, com aval do Ministério Público de São Paulo e da Corregedoria da Polícia Militar.

O caso ocorreu no dia 18 de fevereiro e é investigado como morte suspeita. O corpo da vítima foi exumado, e o laudo necroscópico apontou a presença de lesões no rosto e no pescoço.

Relembre o caso

A policial militar, de 32 anos, foi encontrada morta no apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, no Brás, região central de São Paulo.

Ele estava no local e acionou o socorro. A defesa ainda não se manifestou sobre o resultado do laudo.

O caso foi registrado inicialmente como suicídio, mas passou a ser investigado como morte suspeita após contestação da família da vítima.

O corpo foi exumado e passou por novos exames no sábado (7/3), no Instituto Médico-Legal (IML) Central da capital, incluindo tomografia.

Alguns pontos passaram a ser considerados pelos investigadores. Um deles é o horário da morte. Uma vizinha afirmou à polícia que acordou às 7h28 após ouvir um estampido único e forte vindo do apartamento.

O relato indica que o barulho ocorreu cerca de 30 minutos antes da primeira ligação feita pelo marido ao serviço de emergência. Na chamada para a Polícia Militar, registrada às 7h57, ele afirmou que a esposa havia atirado contra a própria cabeça.

“Minha esposa é policial feminina. Ela se matou com um tiro na cabeça. Manda o resgate e uma viatura aqui agora, por favor”, disse na ligação.

Minutos depois, às 8h05, ele entrou em contato com o Corpo de Bombeiros e informou que a mulher ainda estava respirando. As equipes chegaram ao local às 8h13.

Posição da arma

Outro ponto analisado é a posição da arma. Um dos socorristas relatou que o objeto estava “bem encaixado” na mão da vítima, de uma forma que não havia observado em outros atendimentos de casos semelhantes. Diante da situação, decidiu registrar a cena por meio de fotografias.

O profissional também afirmou que o sangue já estava coagulado quando a equipe chegou ao apartamento e que não havia cartucho de munição no local.

Banho

Depoimentos de socorristas também levantaram questionamentos sobre a versão apresentada pelo marido. Em relato, ele afirmou que estava no banho no momento do disparo.

No entanto, bombeiros que atenderam a ocorrência disseram que ele estava seco e que não havia sinais de água no chão do apartamento.

Segundo o tenente-coronel, ele entrou no banheiro por volta das 7h e, cerca de um minuto depois, ouviu um barulho que teria interpretado como uma porta batendo. Ao sair, afirmou ter encontrado a esposa caída na sala.

Um sargento do Corpo de Bombeiros, com 15 anos de experiência, relatou que encontrou o homem de bermuda, sem camisa e seco.

O socorrista declarou ainda que não havia pegadas molhadas que indicassem deslocamento após o banho. Também afirmou que o chuveiro do banheiro do corredor estava ligado, mas não havia poças de água no chão ou no corredor.

A observação foi confirmada por um tenente da Polícia Militar, cuja equipe foi a primeira a chegar ao local. Ele apontou que nem o homem nem a vítima aparentavam estar molhados ou terem tomado banho antes do disparo.