Dia 15 de setembro é o dia mundial de conscientização sobre linfomas. Vale a pena o alerta: o linfoma é o câncer do sistema linfático, que atinge mais de 12 mil pessoas no Brasil, segundo estimativa do Inca (Instituto Nacional de Câncer, do Ministério da Saúde). Esse sistema tem uma função fundamental no organismo: o de coletar impurezas da circulação sanguínea e manter o sistema imunológico vigilante.
“O sistema compreende os linfonodos, chamados de gânglios. É lá que ficam os linfócitos, um dos tipos de células de defesa do corpo. Para que essas estruturas se comuniquem entre si, temos a circulação linfática, que promove o transporte das células do sistema imunológico e também é um sistema de drenagem de líquidos dos tecidos”, explica Jayr Schmidt Filho, head da Oncohematologia do A.C.Camargo Cancer Center.
Quando o corpo é infectado por algum vírus ou bactéria, as células de defesa entram em contato com o agente infeccioso. “Como os linfonodos estão localizados em locais estratégicos do organismo, eles crescem para combater o que está provocando essa infecção”, diz o oncologista. No fim desse processo, o gânglio diminui de tamanho.
Já no caso do linfoma, há uma mutação nessas células de defesa e elas passam a se acumular nos linfonodos, cujo tamanho aumenta e não diminui mais – e podemtambém atingir os outros órgãos que fazem parte do sistema linfático, como o baço, o timo e até a medula óssea. Mas, diferente de outros tipos de câncer, o linfoma não é hereditário, e sim causado por agentes externos.
Alguns tipos de vírus aumentam o risco de se desenvolver linfoma, como o HIV, o Epstein-Barr, que causa a mononucleose (cujos sintomas são febre e dor de garganta) e o HTLV, que infecta células de defesa do organismo. Outra causa de linfoma é a ingestão de alguns tipos de medicamentos imunossupressores, consumidos por pacientes com doenças autoimunes ou que receberam órgãos transplantados. “São pessoas que precisam passar por monitoramento constante”, afirma Schmidt.
O principal sintoma do linfoma é o crescimento dos linfonodos, que estão distribuídos por todo o corpo. Em alguns locais, como o pescoço, axila e virilha, eles são facilmente percebidos a partir do toque. Além disso, de acordo com Schmidt, os pacientes podem apresentar febre baixa, que aparece no fim do dia e é persistente, perda de peso em um intervalo curto de tempo e transpiração excessiva, especialmente à noite.
Para confirmar o diagnóstico da doença, é feita uma biópsia, que retira uma parte ou a totalidade do gânglio. Há dois tipos principais, o linfoma de Hodgkin e o não-Hodgkin. “O linfoma de Hodgkin vai migrando de cima para baixo: começa no pescoço, vai para tórax e continua descendo. Se ele não apresenta essas características, ele é classificado como não-Hodgkin”, diz o oncologista.
O tratamento varia de acordo com o tipo de linfoma e se ele é ou não agressivo. Os do tipo indolente, que evoluem de maneira mais lenta, podem ser tratados com radioterapia. Já os mais agressivos, com quimioterapia. As chances de cura são grandes, ainda mais se o câncer for descoberto no início, mas ele também pode levar o paciente à morte. “O linfoma pode levar a complicações e a óbito, por comprometimento das estruturas ao redor”, explica.
Outra característica do linfoma é a dificuldade em se prevenir. “É muito difícil, por conta das exposições aos vírus que estão no ambiente”. Sendo assim, manter o sistema imunológico em dia é uma forma de se cuidar, e isso se consegue com uma alimentação adequada e bons hábitos de vida – atitudes assim podem evitar não somente o linfoma, mas uma série de outras doenças crônicas.
Diferença entre íngua e linfoma
A íngua é quando o gânglio aumenta de tamanho no caso de uma infecção ou inflamação. “Se você tem uma infecção de garganta, o linfonodo cresce como mecanismo de defesa para combater o agente que está provocando essa infecção. Dói porque o sistema linfático leva a infl amação para o linfonodo, que depois diminui quando acaba a infecção”, diz o oncologista Jayr Schmidt. Já o linfoma é quando o gânglio aumenta de tamanho de forma progressiva, sem nenhuma infecção aparente, e não há dor. Nesses casos, o paciente deve ir ao médico e fazer uma biópsia da região.
Famosos que tiveram linfoma
A autora Glória Perez foi diagnosticada com a doença quando estava escrevendo a novela Caminho das Índias. Nem as sessões de quimioterapia a fizeram parar: ela escreveu todos os capítulos e superou o câncer. O ator Reynaldo Gianecchini também foi acometido pela doença em 2011. Depois das sessões de quimioterapia, ele se recuperou totalmente. O também ator Edson Celulari teve linfoma em 2016, se recuperou e voltou à atividade na novela Força do Querer. A ex-presidente Dilma Rousseff adquiriu o linfoma em 2009, quando era ministra da Casa Civil. O tratamento quimioterápico foi bem sucedido, e ela venceu as eleições para presidente do Brasil duas vezes, em 2010 e 2014.
Diagnóstico – dados sobre a doença no Brasil
Sistema linfático – Conjunto de órgãos e tecidos que produzem células responsáveis pela imunidade (linfócitos), importantes no combate a infecções
Linfoma – Forma de câncer (neoplasia maligna) originária nos linfonodos (gânglios) desse sistema
Tipos
Hodgkin – Um linfócito se transform em célula maligna, cresce de forma descontrolada e se dissemina para tecidos adjacentes, podendo surgir em outras partes do corpo. O local mais comum de envolvimento é o tórax,
região também denominada mediastino. Mais comum em adulto jovens, entre 25 e 30 anos. A maioria dos pacientes com Doença de Hodgkin pode ser curada com o tratamento atual.
Não-Hodgkin – Há mais de 20 tipos diferentes e, entre os linfomas, o não-Hodgkin é o mais incidente na infância. Por razões ainda desconhecidas, o número de casos duplicou nos últimos 25 anos, principalmente entre pessoas com mais e 60 anos.