Fintech desaparece com R$ 900 milhões e deixa 3 mil clientes com contas bloqueadas

Clientes afirmam que não conseguem sacar dinheiro nem contato com os responsáveis

Fintech é acusada de bloquear contas de cerca de 3 mil investidores no Brasil

Fintech é acusada de bloquear contas de cerca de 3 mil investidores no Brasil | Divulgação: Naskar gestão de ativos

A fintech Naskar Gestão de Ativos Ltda., que mantinha escritório na Vila Olímpia, em São Paulo, desapareceu do endereço registrado ainda no segundo semestre de 2025 e deixou milhares de investidores sem acesso ao dinheiro aplicado na plataforma.

A empresa, que prometia altos rendimentos mensais, é acusada por clientes de bloquear aproximadamente R$ 900 milhões pertencentes a cerca de 3 mil pessoas espalhadas pelo Brasil.

Segundo informações divulgadas pelo site Metrópoles, funcionários do edifício comercial confirmaram que a companhia deixou o local há cerca de 10 meses sem comunicar oficialmente os investidores.

Desde então, o aplicativo saiu do ar, o site parou de funcionar e os responsáveis pela fintech não foram mais encontrados, aumentando a preocupação entre os clientes prejudicados.

Saída silenciosa da empresa chamou atenção

A Naskar teria transferido suas operações para Alphaville, na Grande São Paulo, sem informar os investidores sobre a mudança.

Em um comunicado enviado à imprensa, a empresa afirmou ter enfrentado problemas relacionados à perda de dados internos e prometeu normalizar o acesso às contas em poucos dias, o que não aconteceu.

A saída do escritório na Vila Olímpia coincidiu com o fechamento de unidades em Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro. Clientes afirmam que tentaram contato de diversas formas, mas não receberam respostas. Além disso, os canais digitais da plataforma seguem indisponíveis.

Investidores relatam perdas e falta de respostas

Com o bloqueio das contas, milhares de clientes passaram a relatar dificuldades financeiras e medo de perder todo o valor investido. Muitos afirmam que aplicaram economias de anos após serem atraídos pela promessa de rentabilidade de até 2% ao mês.

A situação gerou uma onda de reclamações em redes sociais e plataformas de denúncia.

Em diversos relatos, investidores dizem estar desesperados por não conseguirem sacar o dinheiro ou obter qualquer posicionamento oficial da empresa.

Como a fintech não atuava como banco tradicional, os valores investidos também não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Sócios sumiram após crise vir à tona

Os sócios da empresa, Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, ex-jogador de vôlei conhecido como Maurício Jahu, deixaram de responder mensagens e contatos feitos por investidores nos últimos dias.

A Naskar se apresentava como uma empresa especializada em gestão de ativos digitais e investimentos de alta rentabilidade.

Apesar do crescimento acelerado e da expansão para São Paulo, clientes questionam a falta de informações claras sobre regulamentação e fiscalização por órgãos oficiais do mercado financeiro.

Caso é acompanhado por autoridades

Na nota enviada à imprensa, a empresa alegou que a instabilidade foi causada por uma falha envolvendo sua base de dados, mas não apresentou provas nem previsão concreta para devolver o acesso aos investidores.

Especialistas alertam que promessas de ganhos elevados e rápidos devem ser analisadas com cautela, principalmente em plataformas financeiras sem histórico consolidado no mercado.

A recomendação é sempre verificar se a empresa possui registro em órgãos reguladores antes de realizar investimentos de alto valor.