Um carro movido a hidrogênio percorreu 140 quilômetros utilizando apenas 1 quilo do combustível produzido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) durante uma demonstração realizada nesta segunda-feira (22/6), em São José dos Campos, no interior de São Paulo.
A ação ocorreu durante a Pulsar Expo IPT 2026 e buscou mostrar, na prática, a viabilidade da tecnologia para a mobilidade sustentável.
O veículo utilizado foi um Toyota Mirai, modelo equipado com célula a combustível, sistema que transforma o hidrogênio em eletricidade para movimentar o automóvel. Diferentemente dos carros elétricos tradicionais, o modelo utiliza uma bateria menor, responsável apenas pelo gerenciamento e pela recuperação de energia.
A demonstração ocorre em um momento em que governos e empresas de diferentes países buscam alternativas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa e diminuir a dependência dos combustíveis fósseis. O hidrogênio é apontado como uma das principais apostas para acelerar esse processo, especialmente em setores de difícil eletrificação.
Segundo o diretor-presidente do IPT, Anderson Correia, levar a tecnologia para situações reais é um passo importante para ampliar sua adoção. “O hidrogênio vem sendo apontado mundialmente como uma das principais alternativas para a descarbonização do transporte. Levar essa tecnologia para condições reais de uso é fundamental para ampliar a confiança do mercado e acelerar sua adoção”, afirmou.
Aposta para o futuro
Antes do trajeto entre São Paulo e São José dos Campos, o veículo foi abastecido com cerca de cinco quilos de hidrogênio produzido pelo próprio IPT. Ao final da viagem, apenas um quilo havia sido efetivamente consumido, resultado que chamou a atenção pela eficiência energética apresentada.
Correia também comparou o atual momento da tecnologia a uma importante transformação vivida pelo país décadas atrás. “Há cerca de 50 anos, o motor a álcool desenvolvido pelo ITA e testado pelo IPT começava a chegar ao mercado e transformava a matriz energética do transporte brasileiro. Hoje, temos a oportunidade de contribuir novamente para uma transição energética, mostrando que o hidrogênio já é uma alternativa tecnicamente viável e segura para a mobilidade de baixa emissão de carbono”, destacou.
O projeto de hidrogênio do IPT recebeu cerca de R$ 20 milhões em investimentos do Governo do Estado de São Paulo e integra uma estratégia voltada ao desenvolvimento de tecnologias ligadas à energia limpa, à mobilidade sustentável e à descarbonização da indústria.
Apesar dos avanços, especialistas apontam que o principal desafio ainda é ampliar a produção em larga escala e reduzir os custos da tecnologia.
“Estamos mostrando, na prática, que o hidrogênio não é uma tecnologia do futuro, mas uma solução disponível hoje. O desafio agora é ampliar a escala de produção, reduzir custos e criar as condições para que essa alternativa ganhe espaço na matriz energética e na mobilidade brasileira”, afirmou João Cordeiro, diretor da Unidade de Negócios de Energia do IPT.
Atualmente, o instituto atua em toda a cadeia do hidrogênio, desde a pesquisa e a produção até o armazenamento, a distribuição e as aplicações voltadas aos setores de transporte e indústria, em uma tentativa de consolidar essa fonte energética como uma alternativa estratégica para a economia de baixo carbono no país.
A demonstração integrou a programação da Pulsar Expo IPT 2026, evento realizado entre os dias 22 e 24 de junho no Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos, que reúne empresas, pesquisadores, startups e representantes do setor público para discutir soluções ligadas à inovação e à sustentabilidade.
