O vereador Senival Pereira de Moura (PT) foi preso na manhã desta quinta-feira (25/6) durante uma ação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo.
Os investigadores colocaram o parlamentar entre os principais alvos da Operação Última Parada. Segundo a apuração, ele teria atuado em um suposto esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em seu sexto mandato na Câmara Municipal de São Paulo, Moura ocupa atualmente cargos estratégicos na Casa. Além de exercer a função de 1º secretário da Mesa Diretora, ele também preside a Comissão de Trânsito e Transporte, responsável por discutir temas ligados ao setor de ônibus da cidade.
O que apontam as investigações
De acordo com a Polícia Civil, Senival Moura, vereador que foi preso, exercia influência direta sobre a administração financeira da Transunião Transportes, mesmo sem integrar oficialmente o quadro societário da empresa. Segundo os investigadores, nenhum repasse de recursos era realizado sem o aval do vereador.
Além disso, a apuração da Polícia Civil aponta a existência de uma estrutura paralela de comando dentro da companhia. Conforme os investigadores, pessoas que não apareciam formalmente como proprietárias controlariam a operação e a movimentação financeira da empresa.
A investigação teve início após a morte de Adauto Soares Jorge, então diretor-presidente da Transunião. O empresário foi assassinado em março de 2020, no estacionamento de uma padaria na Zona Leste de São Paulo.
Patrimônio e movimentações financeiras
As investigações identificaram que Senival Moura seria o beneficiário real de pelo menos 13 ônibus da frota da Transunião.
Embora isso, a propriedade formal dos veículos estaria registrada em nome de familiares, terceiros e empresas interpostas.
Segundo a Polícia Civil, a esposa, os filhos e até um assessor parlamentar do vereador aparecem como proprietários ou subscritores de capital ligados aos bens investigados.
Os investigadores também apontam que Moura movimentou cerca de R$ 4,39 milhões entre 2019 e 2022. Desse total, aproximadamente R$ 2,47 milhões não teriam origem declarada, o que, segundo a apuração, seria incompatível com sua renda formal como agente público.
Além disso, foram identificados imóveis de alto padrão ligados ao vereador em Juquehy, no litoral paulista, em São Paulo e uma propriedade rural em Extrema, Minas Gerais.
Ligação do com o PCC
Entre os elementos reunidos durante a investigação, a Polícia Civil cita uma carta manuscrita atribuída ao PCC. Segundo os investigadores, o documento sugere que o assassinato de Adauto Soares Jorge teria ocorrido porque ele estaria desviando recursos, sem prestar contas a facção.
A Operação Última Parada segue em andamento. A investigação busca aprofundar a apuração sobre a suposta utilização da empresa de ônibus para movimentação e ocultação de recursos ilícitos.
O que diz a assessoria do vereador?
A reportagem procurou a defesa do vereador Senival Moura, e foi informada que o mesmo está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.
Ainda, a equipe jurídica informou que no momento está se inteirando dos detalhes e buscando acesso integral aos autos do processo/inquérito.
