Relembre assassinato que deu origem a operação contra vereador e empresas de ônibus

Crime é apontado como ponto de partida de apuração sobre esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC no transporte público

Homem de cabelos grisalhos, óculos e cavanhaque, vestindo terno cinza e gravata vinho, sorri amplamente enquanto fala ao microfone em um púlpito de madeira. Ao fundo, há uma parede de mármore claro ladeada pela bandeira do Brasil, à esquerda, e pela bandeira da cidade de São Paulo, à direita

Assessoria afirmou ainda que o vereador está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários - Divulgação

Um homicídio ocorrido há mais de seis anos foi o ponto de partida que levou a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo a investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte público e a apontar o vereador paulistano Senival Pereira de Moura (PT) como um dos investigados.

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O caso está relacionado à morte de Adauto Soares Jorge, então diretor-presidente da Transunião Transportes S.A., executado a tiros em 4 de março de 2020, no estacionamento de uma padaria no bairro do Lajeado, na zona leste da capital paulista.

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Da execução ao avanço das investigações

Inicialmente tratado como um homicídio isolado, o caso passou a ganhar novos contornos com o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.

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A partir da apreensão de dispositivos eletrônicos da vítima, investigadores identificaram documentos, registros e comunicações que passaram a ser analisados em conjunto com a estrutura operacional da empresa de ônibus.

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Segundo os investigadores, o material apontou indícios de movimentações financeiras paralelas e de um modelo de gestão informal dentro da Transunião, com participação de operadores externos ao quadro societário oficial.

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Planilhas e movimentações financeiras

Entre os arquivos analisados, estavam planilhas relacionadas à frota de ônibus e registros de distribuição de receitas, além de mensagens que indicariam repasses financeiros fora dos canais formais da empresa.

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A investigação passou a sustentar a hipótese de que parte dos valores gerados pelo sistema de transporte público era direcionada a pessoas sem vínculo formal com a companhia, mas que exerciam influência sobre sua administração.

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Nesse contexto, o nome do vereador Senival Pereira de Moura voltou a aparecer nas apurações, sendo apontado como figura de influência sobre a estrutura operacional e financeira da empresa, apesar de não constar oficialmente no quadro societário.

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Estrutura investigada e atuação no transporte

De acordo com os investigadores, a Transunião operava dezenas de linhas de ônibus na capital paulista e atendia centenas de milhares de passageiros diariamente, com forte presença na zona leste.

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A apuração indica que a empresa teria sido utilizada como instrumento de movimentação de recursos e possível ocultação patrimonial, dentro de uma estrutura considerada paralela pelos órgãos de investigação.

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Operação e medidas judiciais

Na operação deflagrada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), foram cumpridos mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em diferentes endereços da capital, região metropolitana e interior.

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Os alvos são investigados por suspeita de organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas no setor de transporte.

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A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 194,4 milhões em contas ligadas aos investigados, além do sequestro de veículos, imóveis e embarcações.

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Caso segue em investigação

As apurações continuam sob sigilo, e os investigadores trabalham com a hipótese de que o homicídio de 2020 tenha sido um ponto central para o aprofundamento das investigações sobre a estrutura financeira e operacional da empresa.

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Posicionamento

A assessoria do vereador Senival Moura informou que tomou conhecimento dos fatos ocorridos nesta quinta-feira (25/6). Segundo a equipe, o setor jurídico está se inteirando dos detalhes e buscando acesso integral aos autos do processo e do inquérito.

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A assessoria afirmou ainda que o vereador está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.

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Em nota, a equipe informou que uma manifestação oficial será divulgada assim que houver acesso completo às informações do caso.