Na indústria automotiva, um segmento que não para de crescer é o de utilitários esportivos, que se espalharam por todas as marcas e atualmente compõem a maioria dos lançamentos do setor. Mas há outros segmentos em baixa e alguns aparentemente rumo à extinção. É o caso dos hatches médios, que há poucos anos rendiam belas disputas de mercado no Brasil e hoje vivem um indisfarçável ocaso. O Volkswagen Golf já dominou esse segmento; outro que já foi o “rei do pedaço” entre os dois volumes de porte intermediário era o Ford Focus importado da Argentina, onde deixou de ser produzido no ano passado. Solitário entre os hatches médios de marcas generalistas, resta o Cruze Sport6. Fabricado na Argentina desde 2012, o modelo da Chevrolet obteve este ano mais de 80% das minguantes vendas do segmento, com larguíssima folga sobre importados de marcas de luxo como o Mercedes-Benz Classe A, o Volvo V40 e o BMW Série 1. Para não fazer feio frente a uma “concorrência” tão requintada, no final do ano passado, a Chevrolet apresentou na linha 2020 a versão Premier do Cruze Sport6. A nova configuração “top” traz reforços estilísticos e, principalmente, em conectividade – como já acontece em lançamentos mais recentes da marca, incorporando um chip 4G que permite rotear a internet na cabine.
Na linha 2020, o estilo frontal do Cruze Sport6 assumiu a nova linguagem visual da Chevrolet, com o logotipo destacado em uma barra cromada que divide as duas entradas de ar da grade, avançando no para-choque reestilizado. Na traseira, as lentes acrílicas e a disposição dos elementos internos das lanternas foram retrabalhadas para agregar uma assinatura luminosa em led, com lentes de efeito tridimensionais. Um friso cromado na base da área envidraçada ressalta a linha de cintura elevada. As rodas aro 17 polegadas da versão Premier trazem desenho com acabamento diamantado na superfície e pintura escura na parte interna. Duas novas cores se juntaram à linha 2020 do hatch: Marrom Capuccino e Azul Eclipse.
No interior, revestimentos em Jet Black/ Umber, que mistura tonalidade preta e castanha dos painéis, dos bancos, do volante e até do teto se misturam a partes em preto. Um botão passou a permitir a desativação do start-stop, que desliga o motor quando o carro para – em dias de forte calor, o sistema traz o “efeito colateral” de desligar também o ar-condicionado e deixar a cabine quente. O multimídia MyLink 3 ostenta uma tela de 8 polegadas com conexão Apple CarPlay e Android Auto, onde também são exibidas as imagens da câmera de ré de alta definição. Além do Wi-Fi, outras mordomias disponíveis para a configuração Premier são o carregador sem fio para celular no console central, o sistema de estacionamento semiautônomo, o acionamento da ignição por controle remoto para prévia climatização da cabine, o sistema de som de alta definição e o banco do motorista com ajustes elétricos.
Mecanicamente, não houve alteração na linha 2020 do Cruze Sport6. Foi mantido o motor Ecotec Turbo 1.4 Flex, de 150 cavalos na gasolina e 153 cavalos no etanol, associado à transmissão automática de 6 velocidades. Em termos de tecnologias de segurança, a versão Premier traz um avançado sistema de frenagem automática de emergência com detecção de pedestres, além de alerta de ponto cego e assistente de permanência em faixa.
O preço da configuração “top” do hatch parte de R$ 126.590, mas as cores encarecem um pouco mais. A Branco Summit soma R$ 750, as Cinza Satin Steel, Preto Ouro Negro, Prata Switchblade, Marron Capuccino e Azul Eclipse acrescentam R$ 1.600 e a Branco Abalone agrega R$ 1.650 à fatura. Na ausência de concorrentes do segmento, o modelo que disputa os consumidores está nas próprias concessionárias Chevrolet. Trata-se do utilitário esportivo Tracker, também na configuração Premier e com nível similar de equipamentos, que custa R$ 10 mil a menos. Pouca gente vai sozinha a uma concessionária comprar um carro. Normalmente, leva a família. E famílias quase sempre se sentem atraídas pelo charme aventureiro dos utilitários esportivos. Em uma espécie de “efeito gangorra”, a ascensão dos SUVs compactos ajuda a explicar o declínio das vendas de hatches médios.
Esperto e equilibrado
Para quem não se acostuma com a posição elevada dos utilitários esportivos, dirigir um hatch com o motorista instalado “à moda antiga”, mais próximo ao solo, é sempre uma experiência instigante. A configuração Premier do Cruze Sport6 é equipada com o conhecido motor 1.4 turbo de 153 cavalos e o torque de 24,5 kgfm. Com trocas discretas e que até poderiam ser mais rápidas, a transmissão GF6 permite ao veículo oferecer bom desempenho, com velocidade final de 214 km/h e aceleração de zero a 100 km/h em 8,8 segundos. Como o modelo não conta com as aletas no volante para trocas sequenciais, quem prefere mudar as marchas manualmente pode fazê-lo na própria alavanca de câmbio.
O acerto de suspensão e direção é mais firme em comparação ao Cruze sedã, no entanto, o Sport6 também se caracteriza como um médio que favorece mais o conforto do que a esportividade. A dirigibilidade e a segurança na condução se mostram confiáveis e a suspensão dá conta do recado sem vacilar, tanto em asfalto plano quanto em piso mais irregular. Mesmo em curvas fechadas e com uso intenso do pedal da direita, o modelo transmite a sensação de estar sempre equilibrado. Em termos de consumo, em sua categoria, o Cruze Sport6 Premier recebeu a nota A e ainda ostenta o selo de eficiência energética Conpet como o melhor entre os hatches médios – lembrando que ele é o único no segmento. Na comparação geral com automóveis de todas as categorias, levou um B. O consumo da estrada ficou de 9,4 km/l com etanol e de 13,5 km/l com gasolina. Na cidade, bateu 7,6 km/l com etanol e 11,1 km/l com gasolina.
