Teatro: Clássico da Broadway, ‘Chicago’, chega a São Paulo

Conhecido como o musical mais antigo da Broadway, 'Chicago' é uma peça cheia de sensualidade e glamour exuberante

Peça 'Chicago', em São Paulo, encenada em 2004

Peça 'Chicago', em São Paulo, encenada em 2004 | Rubens Chaves/Folhapress

Quando os teatros fecharam suas cortinas em março de 2020, devido à pandemia, o brasileiro Paulo Szot se preparava para voltar a encenar “Chicago” na Broadway. Se não fosse o caos gerado pelo coronavírus, o ator viria, ainda naquele ano, ao Brasil para estrelar a peça –dessa vez, em português– ao lado das atrizes Emanuelle Araújo e Carol Costa. 

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Mas foi só em setembro do ano passado, em meio a uma retomada de atividades presenciais, que o artista voltou aos palcos americanos. Agora, quatro meses após “Chicago” ter sido parte do retorno triunfante da Broadway, o espetáculo finalmente estreia em São Paulo, no Teatro Santander, nesta quarta (26). 

A montagem brasileira é uma réplica do revival da produção americana –em cartaz na Broadway desde 1996–, criada após o sucesso da original, de 1975. 

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O musical se passa durante os famosos anos dourados da década de 1920, em Cook County Jail, prisão de Chicago, onde as assassinas Roxie Hart e Velma Kelly disputam o holofote midiático do momento.

Tudo o que querem é se livrar das grades e conquistar muita fama e dinheiro. Para isso, as criminosas competem pela atenção de Billy Flynn, o advogado mais requisitado da cidade, que sempre livra a cara de seus os clientes e atrai flashes da imprensa. 

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Embebidas de comédia e diversão, as críticas do espetáculo ironizam o Judiciário, as chamadas celebridades do crime, o jornalismo, o sensacionalismo, o showbusiness e, sobretudo, a sociedade americana. 

Conhecido como o musical mais antigo da Broadway, “Chicago” é uma peça cheia de sensualidade e glamour exuberante. Sem dúvidas, um dos maiores clássicos teatrais. 

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“Em cada canção e coreografia, nada é à toa. Existe uma história sendo contada por trás de cada passo”, diz a atriz Emanuelle Araújo. “É um espetáculo muito precioso. Não é datado.” 

Na peça, a baiana exibe seu vozeirão grave e faz o papel de Velma, a criminosa sabichona que vê o próprio status em corda bamba após a chegada de Roxie, a nova assassina do pedaço que estampa as capas de jornais. 

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Carol Costa, que faz a novata, concorda com a colega e define a peça como “um retrato extremamente atemporal da humanidade”. Para a atriz, a competitividade entre as protagonistas é um exemplo disso por remeter a temas feministas contemporâneos, como sororidade, um tipo de desconstrução da rivalidade entre mulheres. 

Tania Nardini, que desde 2007 dirige “Chicago” fora dos Estados Unidos, explica que, embora o musical seja uma sátira local sobre aquela comunidade, lota plateias em todos os países por onde passa. Isso porque, segundo ela, a peça traz uma linguagem universal de dança, música e enredo. 

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“‘Chicago’ é uma crítica ácida à sociedade americana. Então, obviamente tem, na história, elementos muito específicos dos Estados Unidos, mas o centro da discussão é o poder, sobretudo o da imprensa. É por isso que não importa onde esteja, ‘Chicago’ sempre dialoga com a cultura do local.” 

Com 63 prêmios, a peça já foi vista por mais de 33 milhões de pessoas, em 36 países, e encenada em 13 idiomas. Agora, chega ao Brasil pela segunda vez –18 anos após a primeira versão–, não só com um novo elenco, como também em meio a um certo sentimento de êxtase. 

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“A reestreia na Broadway, do ano passado, foi surreal, uma experiência que nunca tinha vivido. Todos nós, artistas, estávamos emocionados por voltar aos palcos depois de tanto tempo, mas a plateia me surpreendeu. Ela aplaudiu de pé durante cinco minutos, sem parar”, conta Szot, o único brasileiro a ganhar um Tony, principal prêmio de teatro do mundo. 

“Estou muito ansioso pela estreia aqui no Brasil. Os artistas nacionais são de altíssimo nível. A gente está pronto para fazer qualquer tipo de espetáculo, o que me deixa muito feliz e orgulhoso.”

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CHICAGO 

Quando: De 26/1 a 29/5 (quin. e sex., às 21h; sáb., às 17h e 21h; e dom., às 15h e 19h)
Onde: Teatro Santander – av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2.041
Preço: De R$ 37,50 a R$ 340
Classificação: Livre (menores de 12 anos devem ir acompanhados dos responsáveis legais)
Elenco: Emanuelle Araújo, Paulo Szot e Carol Costa
Direção: Tania Nardini
Link: https://bileto.sympla.com.br/event/68910/d/108373