‘A cultura deles é essa’: Caiado diz que Lula e PT convivem ‘maravilhosamente bem’ com o crime

Ex-governador de Goiás contesta plano de segurança federal, denuncia contingenciamento de verbas e liga PT a escândalos recentes de facções criminosas

Ronaldo Caiado já indicou a possibilidade de ser candidato a presidente em 2026/Valter Camargo/Agência Brasil

Governador de Goiás liga facções criminosas a entraves econômicos no agronegócio. (Foto: Valter Camargo/Agência Brasil)

O pré-candidato à presidência Ronaldo Caiado (PSD) voltou a atacar de forma direta o Partido dos Trabalhadores (PT) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusando-os de tolerância e conivência com as estruturas criminosas que atuam no país.

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“(O combate à criminalidade) nunca foi prioridade, eles sempre conviveram maravilhosamente bem com o crime… a cultura deles é essa”, afirmou o presidenciável em sabatina do canal Brasil Paralelo, compartilhado neste domingo (14/6).

De acordo com a tese defendida pelo ex-governador, o enfrentamento à violência urbana e ao crime faccionado é uma atribuição intransferível do chefe do Executivo Federal. Na avaliação de Caiado, o atual mandatário carece de estofo moral para gerir e pacificar o setor.

Para respaldar seu posicionamento, o líder político trouxe a público indicadores de seu próprio mandato, computando um investimento de R$ 17 bilhões em segurança pública em solo goiano.

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Caiado ataca PT e isolamento orçamentário

Ao esmiuçar a engenharia financeira que aplicou durante seus dois mandatos estaduais, o político do PSD buscou evidenciar o isolamento orçamentário imposto pela União aos federados. Caiado revelou que, do montante global de R$ 17 bilhões mobilizados por Goiás para lutar contra o crime, a fatia proveniente de repasses do governo limitou-se a R$ 980 milhões.

A partir desse cenário, ele imputou ao Palácio do Planalto a responsabilidade por estrangular a operação dos estados ao promover o contingenciamento de recursos para o sistema penitenciário e para o Fundo Nacional de Segurança Pública.

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O contraste entre as decisões de Brasília e o modelo de tolerância zero implementado em Goiás também pautou as críticas recentes de Caiado. Em participação no Jornal Gente, da rádio Bandeirantes, o pré-candidato mencionou ter exposto suas propostas de segurança pessoalmente a Lula, usando o histórico de sua gestão para classificar a atual política de segurança nacional como um recuo tático institucional.

“Nus vimos o governo dele querer aprovar uma PEC na segurança para tirar poderes dos estados; era um presente de Natal para as facções criminosas. A cinco meses das eleições, agora ele vem dizer que vai apresentar um plano de combate ao crime organizado no Brasil. É uma grande mentira, nada disso aconteceu”, declarou.

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Segundo dados lançados pela Segurança Pública de Goiás em 19 de janeiro de 2026, o estado goiano teve  82% de redução de casos de latrocínio, redução de 100% nos crimes do Novo Cangaço; de 97%, no de roubo de carga; de 95%, no roubo de veículos; de 92%, no roubo a transeunte, e de 91%, no de comércio e 6% em crimes de estupro. O recorte foi entre os anos de 2018 até o ano de 2025 em que Caiado foi governador. Esse comparativo foi realizado pela Secretaria de Segurança Pública (SSP).

O reflexo do narcotráfico na credibilidade internacional do Agro

A artilharia do pré-candidato também estabeleceu conexões entre o avanço das facções internas e a degradação da imagem do Brasil no mercado financeiro e no comércio internacional.

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Durante o painel “Agro 360°: O Agro na Encruzilhada Global”, sediado na capital paulista, Caiado traçou um paralelo entre a passividade do Executivo diante do avanço do narcotráfico e as barreiras alfandegárias e protecionistas impostas pelo governo dos Estados Unidos.

O político destacou ter sido a primeira liderança estadual a se contrapor publicamente quando Donald Trump implementou as primeiras medidas de restrição tarifária no ano passado ao país. Contudo, ele enfatizou que o Brasil perdeu poder de barganha geopolítica por falhar no controle das rotas de tráfico e permitir a infiltração de recursos ilícitos no ecossistema financeiro e empresarial.

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“São situações que denigrem a imagem do Brasil e que o presidente Lula está jogando na sarjeta”, pontuou.

O presidenciável relacionou a legenda governista a escândalos de grande repercussão policial, trazendo à tona o desdobramento das investigações que envolveram a influenciadora Deolane Bezerra por suposto envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

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“O PT sempre foi conivente com as facções criminosas. Ele [Lula] nunca fez um ataque, ele nunca tentou devolver as áreas ocupadas. Você vê que nunca teve uma política de segurança pública nesse país”, concluiu Caiado.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Partido dos Trabalhadores (PT) para solicitar um posicionamento oficial sobre as declarações de Ronaldo Caiado. A entidade informou que enviaria uma manifestação assim que possível, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.