O Primeiro Engenho Central da Província de São Paulo

Engenho foi inaugurado no dia 28 de outubro de 1878

Vista aérea velho Engenho Central de Porto Feliz

Vista aérea velho Engenho Central de Porto Feliz | Acervo do Professor Roberto Prestes de Souza

A foto aérea mostra o velho Engenho Central de Porto Feliz – o primeiro da Província de São Paulo e o segundo mais antigo do Brasil -, inaugurado no dia 28 de outubro de 1878.  Até essa data o açúcar da cidade de Porto Feliz era produzido artesanalmente em pequenas engenhocas espalhadas por mais de uma centena de propriedades, como ocorria em outras localidades brasileiras.

A partir de 1830 a produção do açúcar passou a enfrentar a concorrência do produto de outras origens, nos mercados internacionais. Saliente-se, por oportuno, que nessa época o açúcar produzido na então Vila de Porto Feliz era exportado, principalmente para Lisboa – Portugal. Por esse motivo a lavoura em Porto Feliz somente conheceria uma retomada de seu vigor a partir do dia 28 de outubro de 1878, quando aqui se inaugurou, conforme já dito, o primeiro dos chamados engenhos centrais, fábricas de açúcar modernas, da Província de São Paulo, e terceiro do Brasil.

Com maquinário francês, um grupo de fazendeiros se organizou sob a razão de Companhia Açucareira de Porto Feliz, assinando contrato com o Governo Imperial para garantia de juros privilegiados ao empreendimento. O mesmo contrato, porém, proibia a utilização do braço escravo, aspecto que aponta para a grande dificuldade que o Engenho Central de Porto Feliz logo viria a enfrentar, ou seja, a limitação de sua modernidade ao terreno dos equipamentos e do processo produtivo intramuros. O arcaísmo de métodos persistia nos demais aspectos, carecendo de novas técnicas na lavoura.

A empresa padecia ainda de problemas no transporte da cana, uma vez que Porto Feliz não era servida por ferrovia, o que agravava a deficiência no fornecimento da matéria-prima. Desafio dos maiores era substituir o trabalho servil nas plantações, o que se tentou recorrendo ao braço imigrante. O governo imperial, em fins de 1887, estabeleceu em Porto Feliz o Núcleo Colonial Rodrigo Silva, que receberia os primeiros imigrantes belgas no ano seguinte.

Criou-se, nessa época, uma estrada de ferro que ligava a Colônia Rodrigo Silva ao Engenho Central, para o transporte da cana de açúcar. As vinte e cinco famílias belgas que chegaram a Porto Feliz foram arrebanhadas em sua pátria pelo padre Jean Baptiste VanEsse, que obtivera um contrato para tanto, com o Ministério da Agricultura do Império. A esse sacerdote passaram a ser dirigidas, desde muito cedo, diversas críticas, dando-se-lhe a maior parcela de culpa pelo fracasso da Colônia. A ele se atribuía um espírito autoritário, despótico, além de ser muito dado à bebida.

O fato é que a maioria dos colonos provinha de serviços urbanos em sua terra natal, no comércio ou na indústria, e não tinha intimidade com a lida rural. Estranharam o clima, a mata nativa que ainda rodeava a colônia, a dureza do trato com a cana. A maioria retornou para a Bélgica. Algumas poucas famílias ficaram na região, dedicando-se à policultura, à criação de gado, ao fabrico de aguardente.

Com essas e outras dificuldades, a história do Engenho Central de Porto Feliz avança pelo final do século XIX e pelo século XX, com arrendamentos, liquidação judicial e transferência para acionistas franceses e, bem mais tarde, novamente brasileiros, tornando-se a Usina Porto Feliz, até seu fechamento definitivo, na década de 1990.

Não se pode negar, todavia, que a construção do Engenho Central em Porto Feliz revolucionou a produção de açúcar em toda a região e contribuiu para a consolidação de um importante ciclo na economia do nosso município. Salve Terra das Monções / Tua gente varonil / Honrará tuas tradições / E a grandeza do Brasil!