Brasil terá menor área plantada com feijão desde 1976; pode faltar grão a partir de maio

Importações de feijão preto da Argentina já devem se intensificar nas próximas semanas porque não há mais grão de qualidade disponível

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Feijão | Griffin024

O alerta feito pela Companhia Nacional de Abastecimento no início de setembro sobre a redução na área destinada ao plantio de feijão na safra 2022/23 acaba de ganhar contornos ainda mais preocupantes. Nesta semana, o Instituto Brasileiro do Feijão concluiu que o País terá a menor área plantada com o grão desde 1976. Com isso, o Ibrafe prevê que o abastecimento interno pode ficar comprometido a partir de maio de 2023.

E as importações de feijão preto da Argentina já devem se intensificar nas próximas semanas porque não há mais grão de qualidade disponível. O problema é que só o Brasil consome feijão carioca, portanto, não há de onde importar essa variedade, a mais consumida no País.

E, desde 2017, os estoques reguladores estão zerados porque o Governo Federal decidiu abandonar esta política pública criada no início do século 20.

Os estoques públicos eram usados quando havia escassez de algum alimento devido a quebras de safra. Nas décadas de 1970, 1980 e 1990, eles foram fundamentais para controle da inflação. A ONU recomenda que os países mantenham estoques suficientes para abastecer toda população por pelo menos três meses.

Segundo a Conab, as lavouras de feijão e arroz estão perdendo espaço para soja e milho, grãos exportáveis e avaliados em dólar. “Não temos incentivo para plantar feijão”, resume o presidente do Ibrafe, Marcelo Lüders.

Na década de 1980, o feijão ocupava dois milhões de hectares. Neste ano-safra, serão 890 mil hectares plantados com feijão, área equivalente à de 890 mil de campos de futebol. Em 1976, éramos 110 milhões de brasileiros. Hoje, somos 215 milhões…

Brasil tem mais boi…

O IBGE concluiu nesta semana que o Brasil tem mais gado do que gente. O País fechou 2021 com 225 milhões de bois e vacas. Esse número é recorde em toda série histórica. O mesmo IBGE estima que no ano passado o País tinha 213 milhões de habitantes.

…do que gente,…

Apesar de o Brasil ter um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, o desemprego, a exportação e a inflação mudaram os hábitos de consumo no País. Sem dinheiro, o povo recorreu ao ovo, cuja produção foi de 4,8 bilhões de dúzias no ano passado, recorde absoluto desde 1974.

… mas povo não come carne…

Segundo o IBGE, em 2021 as carnes acumularam inflação de 8,45%. Os cortes com as maiores altas foram filé-mignon (30,91%), picanha (17,36%), fígado (14,73%) e músculo (12,02%).

…come ovo, se der!

Apesar de custar menos que a carne, o ovo não escapou da carestia. E, com o aumento na procura, o preço disparou em 2022, com recordes sucessivos, mês a mês…

Terra, arte e pão

A produção de alimentos sem agrotóxicos e a democratização do acesso à terra influenciaram um grupo de artistas que acaba de entregar à população a maior pintura urbana de Belo Horizonte Com 489 metros quadrados, o quadro ocupa a parede lateral de um edifício próximo ao Mercado Municipal, na emblemática Praça Raul Soares. “Ocupar o Centro com arte e cultura é desvelar um movimento cultural e político”, destaca o coletivo de cultura do MST.

Filosofia do campo:

“A nudez não é obscena. Obscena é a fome”, José Saramago (1922/2010), escritor português, ganhador do Nobel de Literatura.