Imagine: seu carro rodando mil quilômetros com apenas um litro de água. Isso não é um sonho, mas uma realidade emergente no Brasil. O analista Roberto de Souza criou uma invenção que pode revolucionar o uso de combustível e o meio ambiente.
Seu mecanismo adapta veículos para usar hidrogênio da água, prometendo economia e menos poluição. A inovação já chamou atenção nacional e de montadoras, mas enfrenta desafios legais para comercialização em larga escala.
Apesar da ideia de usar água como combustível não ser nova, Roberto busca tornar essa tecnologia mais acessível. Descubra como funciona essa proposta, seus benefícios e os obstáculos que impedem sua chegada ao mercado.
Como funciona o motor a água de Roberto?
O sistema de Roberto de Souza permite que seu veículo rode até 1000 km com apenas 1 litro de água destilada. Essa autonomia impressionante se baseia na transformação da água em hidrogênio, que então atua como combustível para o motor do carro.
O mecanismo é aparentemente simples. A água flui de um reservatório para um gerador. Ali, ocorre a hidrólise, processo que quebra as partículas de H2O, liberando o gás hidrogênio. Este gás é então canalizado e injetado diretamente no motor do veículo.
Roberto testou a invenção em seu próprio Chery S18. Ele viajou até o Rio de Janeiro com 1,5 litro de água, comprovando a eficácia. 1 litro de água destilada, suficiente para 1000 km, custa apenas R$ 3.
Benefícios e a visão do inventor
Além da grande economia, o sistema de Roberto de Souza traz vantagens ambientais significativas. O que sai do escapamento é apenas água pura, sem nenhum poluente. Isso contribui diretamente para reduzir as emissões de gases nocivos, protegendo nosso planeta.
O inventor garante que não há perda de velocidade, e o motor fica até mais silencioso. Profissionais do setor automotivo confirmam que motores de combustão interna, sejam a gasolina, GNV ou álcool, podem usar hidrogênio tranquilamente, sem prejuízos ao veículo.
Roberto dedicou um ano e meio à pesquisa, motivado pelo alto custo da gasolina e por problemas com a Petrobras. Sua meta não é vender a ideia para que seja “engavetada”. Ele quer que se torne “domínio público e passe a ser usada em larga escala, pois funciona”.
Desafios e a legalidade
Apesar de seu grande potencial, a invenção de Roberto enfrenta barreiras legais no Brasil. A legislação atual proíbe a comercialização ampla desse sistema, principalmente devido a preocupações com a segurança e o risco de explosão associado ao hidrogênio.
O hidrogênio é um combustível incrivelmente potente, usado até em foguetes espaciais. Por isso, sua instalação e armazenamento exigem cuidados extremos e devem ser realizados apenas por profissionais qualificados. O próprio Roberto gastou só R$ 4 no mecanismo, mas a cautela é essencial.
Mesmo com a garantia de especialistas sobre a segurança para o motor, a lei vê o hidrogênio como um desafio para veículos comuns. Assim, para a maioria dos brasileiros, a conversão para hidrogênio continua sendo um “sonho”, limitando o acesso a essa tecnologia promissora.
Outras iniciativas e controvérsias
A ideia de carros movidos a água não é exclusiva de Roberto. Patentes existem desde 1978, como a de Yull Brown, dos EUA, embora sua invenção tenha sido contestada. No Brasil, o kit Gasagua, testado pela Quatro Rodas, não teve sua eficiência aprovada.
Em Jales, o mecânico Carroça e Marcos divergem sobre a autoria do “Filtro Ecológico H2O”. Esse dispositivo, adaptável a veículos a gasolina ou álcool, promete até 80% de economia e não polui, segundo seus defensores. Já há relatos de economias acima de 50%.
Usuários do Filtro Ecológico H2O relatam satisfação, mas há um detalhe: “você não pode acelerar muito, senão você não vai fazer economia nenhuma. O hidrogênio… precisa de um tempo para chegar ao motor e, se você acelerar muito, a gasolina vai chegar primeiro”.
O futuro do hidrogênio veicular
Roberto de Souza já planeja os próximos passos, visando testar sua invenção em caminhões e ônibus. O objetivo é expandir o alcance da tecnologia para veículos maiores, buscando maior economia e redução de poluição no setor de transporte de cargas e passageiros.
A comercialização do sistema, incluindo equipamento e instalação, está prevista para o segundo semestre deste ano, com custos a partir de R$ 1.300. Roberto pretende treinar oficinas para garantir instalações seguras e profissionais, buscando viabilizar a invenção.
Um tanque com 1,5 litro de água destilada pode fazer um veículo rodar entre três e sete meses, dependendo do uso. Isso representa uma economia colossal e um passo significativo para um futuro mais sustentável. A inovação continua a desafiar o status quo dos combustíveis.


