A queda de temperatura pode reduzir a pressão dos pneus dos carros e aumentar o consumo de combustível. Em dias frios, motoristas precisam ficar atentos à calibragem para evitar gastos adicionais e problemas de segurança durante os deslocamentos.
Segundo a fabricante Continental, uma redução de 10 °C na temperatura pode provocar uma queda de aproximadamente 1 a 2 libras por polegada quadrada (PSI) na pressão dos pneus. A variação ocorre mesmo quando não há furos ou vazamentos.
Além de aumentar a resistência ao rolamento, a pressão abaixo da recomendada pode provocar desgaste irregular e prejudicar o comportamento do veículo, especialmente em frenagens e curvas.
Por que a pressão dos pneus diminui no frio?
A mudança está relacionada ao comportamento do ar dentro dos pneus. Quando a temperatura diminui, a pressão do gás também cai, desde que o volume permaneça aproximadamente constante.
Isso explica por que um carro que passou a noite estacionado em um ambiente frio pode apresentar uma pressão menor pela manhã, mesmo sem ter perdido ar por algum defeito.
Ainda segundo a Continental, a redução pode chegar a 2 PSI para cada queda de 10 °C. O efeito varia conforme as condições de temperatura e a pressão inicial dos pneus.
Por isso, a recomendação é verificar a pressão regularmente, principalmente após mudanças acentuadas de temperatura.
O que significa PSI na calibragem dos pneus?
PSI é a sigla em inglês para pounds per square inch, que significa libras por polegada quadrada. A unidade é utilizada para medir a pressão do ar dentro dos pneus.
Na prática, é o número que aparece nos calibradores dos postos de combustível. Quando a montadora recomenda 32 PSI, por exemplo, significa que o pneu deve ser calibrado com 32 libras por polegada quadrada.
A pressão ideal varia conforme o modelo do veículo e a carga transportada. Por isso, o motorista deve consultar os valores indicados pela fabricante do carro, em vez de utilizar uma medida única para todos os veículos.
Pneus com pressão baixa podem aumentar o consumo
Rodar com os pneus abaixo da pressão indicada pela montadora também pode pesar no orçamento do motorista.
Isso acontece porque a calibragem insuficiente aumenta a resistência ao rolamento, exigindo mais energia para movimentar o veículo.
Segundo a Continental, pneus com pressão 3 PSI abaixo da recomendação do fabricante podem elevar o consumo de combustível em aproximadamente 2%.
O impacto depende de fatores como veículo, velocidade, condições da estrada e intensidade da perda de pressão.
A calibragem incorreta também pode reduzir a vida útil dos pneus, antecipando a necessidade de substituição.
Segurança e frenagem também são afetadas
A pressão inadequada altera a distribuição do peso sobre os pneus e pode comprometer a estabilidade do veículo.
Segundo a Michelin, pneus com pressão insuficiente apresentam maior desgaste nas regiões laterais da banda de rodagem, conhecidas como ombros. Além disso, a calibragem incorreta pode reduzir a aderência e aumentar as distâncias de frenagem.
Em pistas molhadas, a condição dos pneus exige atenção especial. A profundidade dos sulcos, a pressão, a velocidade e a quantidade de água sobre o asfalto influenciam o risco de aquaplanagem.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) alerta que pneus excessivamente desgastados apresentam maior probabilidade de aquaplanar, pois os sulcos deixam de escoar a água adequadamente.
Pneu careca pode gerar multa de R$ 195,23
Além dos riscos à segurança, circular com pneus em más condições de conservação pode resultar em multa.
Segundo a Resolução nº 913/2022 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), é proibida a circulação de veículos com pneus cuja profundidade dos sulcos seja inferior a 1,6 milímetro ou cujo desgaste tenha atingido os indicadores previstos na norma.
O artigo 230, inciso XVIII, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê infração grave para veículos em mau estado de conservação que comprometa a segurança.
Nesses casos, a multa é de R$ 195,23, com cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e possibilidade de retenção do veículo para regularização.
A pressão abaixo da recomendada, por si só, não significa que o motorista receberá essa penalidade. A autuação está relacionada às condições de conservação e segurança do veículo.
Como calibrar os pneus corretamente
A principal orientação é seguir a pressão recomendada pelo fabricante do veículo. A informação pode ser encontrada no manual do proprietário, em uma etiqueta na porta do motorista ou na parte interna da tampa do tanque de combustível.
O valor também pode variar de acordo com a quantidade de passageiros e a carga transportada.
A pressão deve ser medida preferencialmente com os pneus frios, porque o aquecimento provocado pela circulação altera o resultado apresentado pelo calibrador.
A Continental recomenda verificar a calibragem a cada duas a quatro semanas. Em períodos de frio, a fabricante orienta que a conferência seja feita a cada duas semanas.
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Dúvidas frequentes sobre a calibragem
É melhor calibrar os pneus frios ou quentes?
A medição deve ser feita preferencialmente com os pneus frios. Segundo a Michelin, isso significa que o veículo não deve ter circulado nas últimas duas horas ou deve ter percorrido menos de três quilômetros em baixa velocidade.
Depois de trajetos mais longos, o aquecimento pode elevar temporariamente a pressão e alterar a leitura.
É necessário colocar mais libras nos dias frios?
Não é recomendado adicionar pressão acima da especificação apenas porque a temperatura caiu. O motorista deve seguir os valores indicados pela montadora para as condições de uso do veículo.
Se a pressão medida com os pneus frios estiver abaixo da recomendação, ela deve ser corrigida.
De quanto em quanto tempo os pneus devem ser calibrados?
A Continental recomenda a verificação a cada duas a quatro semanas e antes de viagens longas. Em dias frios, o intervalo de duas semanas ajuda a identificar alterações na pressão.
Carros com sensores de pressão também precisam de calibragem?
Sim. Veículos equipados com sistema de monitoramento da pressão dos pneus (TPMS) também precisam de verificações periódicas.
Os sensores ajudam a identificar alterações, mas não substituem a conferência da pressão recomendada pelo fabricante.
A inspeção também deve incluir o estado de conservação dos pneus e, quando houver, do estepe.





