Em uma corrida de automobilismo, diferenças de milésimos de segundo podem separar os primeiros colocados. Na busca por desempenho, até a tinta utilizada na carroceria dos veículos entra nos cálculos de peso das equipes, que recorrem a materiais mais leves e tecnologias desenvolvidas para outros setores da indústria.
Embora pareça apenas um elemento estético, a pintura acrescenta massa ao veículo. Isso ocorre porque o acabamento envolve diferentes camadas de materiais, como primer, tinta e verniz, que se acumulam sobre a superfície da carroceria.
Na Fórmula E, categoria de carros elétricos, a preocupação também envolve a eficiência energética. Cada quilo adicional precisa ser movimentado durante acelerações e frenagens, o que pode influenciar o consumo de energia e o desempenho nas pistas.
Quanto pesa a pintura de um carro de corrida?
O peso acrescentado pela pintura depende da área coberta, dos produtos utilizados e da espessura das camadas aplicadas.
Em veículos convencionais, o conjunto completo de acabamento pode representar alguns quilos. Já nos carros de competição, reduzir mesmo pequenas quantidades de material pode fazer parte do trabalho de desenvolvimento.
Estimativas técnicas apontam que uma pintura convencional aplicada a um carro de corrida pode acrescentar entre 1,5 e 2,5 quilos. Esses valores, porém, variam conforme o projeto e não representam uma medição oficial dos veículos da Fórmula E.
A preocupação das equipes é evitar que o acabamento acrescente peso desnecessário a um conjunto desenvolvido para atingir limites específicos de massa e desempenho.
Como o peso da tinta pode influenciar uma corrida?
A relação entre peso e tempo de volta depende de fatores como traçado, aceleração, frenagem e características do veículo.
Em circuitos urbanos, que exigem sucessivas reduções e retomadas de velocidade, uma massa menor pode favorecer a resposta do carro e reduzir a energia necessária para movimentá-lo.
Ainda assim, o princípio físico explica por que as equipes analisam componentes que, à primeira vista, não parecem relacionados ao desempenho.
Tecnologia aeroespacial chega à pintura dos carros
Uma das alternativas à pintura convencional é a aplicação de películas de acabamento, que permitem cobrir a carroceria sem a necessidade das mesmas etapas de pintura e secagem.
Entre as tecnologias utilizadas no automobilismo está uma película de uretano desenvolvida originalmente para o setor aeroespacial, posteriormente adaptada para veículos de competição.
O material foi utilizado pela Jaguar TCS Racing na Fórmula E, em parceria com a empresa AERO. Segundo a fabricante, a solução pode ser 60% mais leve do que sistemas de pintura aplicados por pulverização, nas condições comparadas pela empresa.
A película também permite variar sua espessura de acordo com a necessidade de cada parte do carro. Regiões mais expostas a impactos podem receber maior proteção, enquanto outras podem utilizar menos material.
A tecnologia dispensa parte das camadas tradicionais de acabamento e oferece resistência a pequenos impactos, abrasão e contato com produtos químicos.
Envelopamento também entra na redução de peso
Além das películas especiais, o envelopamento com materiais adesivos é utilizado para aplicar cores, números e logotipos na carroceria.
A técnica permite substituir partes da identidade visual sem realizar uma nova pintura completa, o que também facilita intervenções durante uma temporada de corridas.
Outra possibilidade é deixar determinadas regiões da fibra de carbono aparentes, reduzindo a área que precisa receber tinta ou outros materiais.
Essa estratégia ganhou destaque também na Fórmula 1. Em 2023, a Mercedes apresentou um carro com grandes superfícies de carbono exposto para economizar peso.
A escolha entre pintura, vinil e outros acabamentos depende das características de cada material. Nem todo envelopamento é necessariamente mais leve do que uma pintura, e o resultado precisa ser avaliado individualmente.
Na disputa por frações de segundo, o acabamento deixou de ser apenas uma decisão visual. A quantidade de material aplicada sobre a carroceria também pode fazer parte da busca por eficiência e desempenho nas pistas.






