A cada dez professores formados no país, seis fizeram graduação a distância

Os dados são de um levantamento feito pelo Todos Pela Educação

Proporcionalmente, há um agente para cada 143 alunos, ou 4,6 agentes para cada uma das cerca de 5.300 unidades no estado

Sala de aula | Adriano Vizoni/Folhapress

A cada dez professores formados no país em 2020, seis cursaram a graduação a distância. Dos cerca de 235 mil que concluíram cursos de licenciatura e pedagogia, 143 mil estudaram nessa modalidade. 

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Os dados são de um levantamento feito pelo Todos Pela Educação, com dados do Censo da Educação Superior de 2020. O estudo mostra que o número de professores formados em cursos a distância mais do que dobrou nos últimos dez anos. Em 2010, os concluintes nessa modalidade eram 31% do total –cerca de 71 mil formandos. 

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Na modalidade presencial, tanto na rede pública como privada, o número de concluintes de cursos de formação inicial de professores diminuiu neste período –passando de 160 mil para 91 mil, em 2020. 

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O crescimento do número de professores formados a distância é impulsionado sobretudo pelo setor privado, que apostou na expansão de cursos nessa modalidade para aumentar a quantidade de alunos matriculados. 

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Segundo o estudo, dos 235 mil concluintes de 2020, mais de 133 mil (56,7%) fizeram graduação em faculdades particulares a distância. 

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Para Gabriel Côrrea, líder de políticas educacionais do Todos Pela Educação, a modalidade, que deveria ser uma exceção, se tornou a principal estratégia de formação docente no país, sem que haja fiscalização e regulação da qualidade dos cursos. 

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“É uma situação extremamente séria, que vai na contramão do que indicam estudos internacionais e da prática dos países que têm melhores indicadores educacionais. A boa formação de professores precisa estar voltada para a prática, para o ato de ensinar. Um curso a distância não garante isso.” 

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Em 2019, o Ministério da Educação aprovou novas diretrizes para a formação de professores para ampliar o foco em atividades práticas. Pelas regras, os cursos a distância devem ter carga horária de ao menos 3.200, sendo 800 horas (o equivalente a um ano da graduação) focadas na prática pedagógica –a mesma distribuição vale para as graduações presenciais. 

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“A diferença é que, em um curso presencial, o aluno debate com seus colegas, simula situações de uma sala de aula real. Na modalidade a distância, ele não tem essa troca, fica focado apenas na teoria”, diz Côrrea. 

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Estudos nacionais, que embasaram a mudança das diretrizes das graduações, apontaram que as licenciaturas são excessivamente teóricas e descoladas da realidade da sala de aula. 

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A proporção de professores formados a distância é superior à das demais carreiras. A média das demais graduações do país é de que os cursos a distância correspondem a 24,6% dos concluintes. 

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“Essa desproporção em relação às demais carreiras mostra como o Brasil não leva a sério a formação de professores”, diz o especialista. 

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Ele lembra ainda que a expansão dos cursos a distância, acentuada a partir de 2013, ocorreu sem que fossem fortalecidos instrumentos de avaliação dos cursos e sanções àqueles que têm qualidade inadequada. 

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“Não houve crescimento da procura por cursos de pedagogia e licenciatura, mas a migração do curso presencial para o ensino a distância. E não há um controle da qualidade.” 

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A reportagem procurou o Ministério da Educação para comentar os dados, mas não obteve resposta.