Alto volume de investimento estrangeiro no Brasil em razão da trajetória de alta da Selic e do diferencial de juros em relação a outras economias contribuiu para essa queda.
O dólar está perdendo força em 2022. No ano, a moeda norte-americana acumulou queda de 10,7% e fechou a sexta-feira (18) a R$ 5,0157. Nesta segunda-feira, é avaliado por menos de R$ 5.
Em 2022, o Brasil é o país onde o dólar mais se desvalorizou, segundo dados da Economatica. Das 25 economias acompanhadas pelo estudo, o dólar perde valor em dez países, e se valoriza em 15.
O alívio na pressão cambial, no entanto, exige cuidados, já que as eleições devem entrar no radar dos investidores nos próximos meses, segundo especialistas. De acordo com o último boletim Focus, a previsão é que o dólar termine o ano em R$ 5,30.
Confira abaixo os motivos que levaram o dólar ficar abaixo dos R$ 5:
- Volume de investimento estrangeiro;
O alto volume de investimento estrangeiro que o Brasil vem recebendo é um dos fatores que impulsiona a valorização do real frente ao dólar. A bolsa de valores de São Paulo, a B3, registra uma alta de 7,70% nesses investimentos em 2022. De forma simples, a regra segue a lei da oferta e demanda: se o investidor de fora coloca mais dólares na economia brasileira, haverá um volume maior da moeda por aqui. E quanto maior a oferta, menor o preço.
Neste ano, o investimento estrangeiro na bolsa passa dos US$ 50 bilhões.
- Aumento dos preços das commodities;
O aumento dos preços das commodities no mercado internacional também fortaleceu o real, uma vez que há um forte ingresso de dólares no país com a venda de produtos, como soja, minério de ferro e petróleo, explicou André Perfeito, economista-chefe da Necton.
- Taxas de juros
A alta da Selic também atraiu estrangeiros para o Brasil, via investimentos em renda fixa. Depois da última decisão do Copom, o Brasil voltou a ter o maior juro real (descontada a inflação) do mundo – pagando, assim, um retorno atrativo ao capital externo.
O dólar deve continuar em queda?
Na avaliação dos especialistas, será preciso ter cautela a partir do segundo trimestre, quando as eleições no Brasil entrarão no foco dos investidores, fazendo o dólar voltar a subir, afirmou Silvio Campos Neto, da Tendências.
“Temos riscos consideráveis no Brasil. E o processo eleitoral deste ano vai gerar muito ruído”, alertou o economista.
É hora de comprar dólares?
Para quem tem dinheiro guardado ou viaja a trabalho, os especialistas recomendam comprar dólares o quanto antes para aproveitar a cotação atual – já que ela pode não durar muito.
“A queda do dólar não deve ser muito duradoura por conta do risco Brasil, principalmente em ano de eleição. Temos muitas coisas importantes acontecendo no exterior e aqui [no Brasil] temos um processo eleitoral carregado de incertezas”, concluiu o sócio da Tendências.
