Os iPhones representam 75% dos celulares roubados no Jardim Paulista, na zona oeste de São Paulo. O percentual é o mais alto entre os distritos analisados em um levantamento da Crime Brasil, que identificou diferenças no perfil dos aparelhos levados por criminosos em cada região da capital.
Na cidade, os celulares da Apple correspondem a 46% dos aparelhos roubados. A proporção também é elevada em Pinheiros, onde chega a 74%, seguida por Consolação, com 71%, e Itaim Bibi, com 70%. Na outra ponta, os iPhones representam 24% dos aparelhos roubados no Grajaú e 36% no Jardim Ângela.

objeto”; cálculo Crime Brasil/Arte Gazeta de S.Paulo
Os dados fazem parte de um levantamento que contabilizou 53.353 roubos de celulares em São Paulo em 12 meses, o equivalente a uma média de 146 ocorrências por dia — aproximadamente um caso a cada dez minutos. A maior parte dos registros, 94%, ocorreu em vias públicas.
Bairros com mais roubos e maiores taxas por habitante
Em números absolutos, o Capão Redondo lidera a lista de distritos com mais ocorrências, com 2.235 registros no período. Na sequência aparecem Pinheiros, com 1.716, Jardim Ângela, com 1.571, República, com 1.548, e Campo Limpo, com 1.376.
Quando os dados são comparados com o tamanho da população, porém, o cenário muda. A Sé registra a maior taxa, com 3.806 roubos por 100 mil habitantes. Pinheiros aparece em seguida, com 2.634, e República, com 2.545. Consolação e Barra Funda também estão entre os distritos com os índices mais elevados, com 1.948 e 1.932 ocorrências por 100 mil moradores, respectivamente.
A concentração de casos também aparece quando a análise considera a área dos distritos. A República registra 646 roubos por quilômetro quadrado ao ano, seguida pela Sé, com 413, Consolação, com 271, Pinheiros, com 206, e Capão Redondo, com 162.
Horários de maior incidência variam entre os bairros
Na capital, 40% dos roubos de celulares ocorreram entre 19h e meia-noite. O período concentra parte expressiva das ocorrências em regiões como Itaim Bibi e Jardim Paulista, onde os registros atingem o pico por volta das 21h. No Itaim Bibi, metade dos casos foi registrada nesse intervalo.
No Capão Redondo, entretanto, o horário de maior incidência é diferente. O levantamento aponta que 23% dos roubos ocorreram entre 4h e 6h59, proporção superior à média da cidade, de 12% nesse período.
Registros caíram em 2026, mas aumentaram em alguns distritos
Entre janeiro e agosto de 2026, São Paulo registrou 35.279 roubos de celulares, contra 41.650 no mesmo intervalo de 2025. A redução foi de 15,3%. A queda foi mais acentuada em Campo Limpo, com diminuição de 30%, Jardim Ângela, com 24%, Jardim São Luís, com 20%, e Capão Redondo, com 18%.
Em outros distritos, no entanto, houve aumento. Santo Amaro teve alta de 21%, Brás, de 17%, Consolação, de 15%, e Pinheiros, de 6%.
O levantamento também identificou vias com maior número de registros. A Avenida Cruzeiro do Sul lidera, com 269 ocorrências, seguida pela Rua Augusta, com 264, Avenida do Estado, com 243, Rua da Consolação, com 232, e Praça da República, com 173.
Como os dados foram levantados
A pesquisa utilizou registros da base de dados de celulares subtraídos da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). Os dados foram organizados por distrito, com cruzamento de informações sobre localização, população e características dos aparelhos.
A análise considerou os registros com identificação válida de localidade e apontou que 7,7% dos casos não tinham coordenadas válidas para a distribuição geográfica. O levantamento também ressalta que cerca de 60% dos boletins de ocorrência são registrados em delegacias diferentes da região onde o crime aconteceu.






