Empresas se calam sobre denúncia de tentarem enganar entregadores

Empresas apresentaram um habeas corpus e se recusaram a responder qualquer pergunta feita pelos vereadores paulistanos

Representantes das empresas preferiram se manter em silêncio durante sessão da CPI dos Apps

Representantes das empresas preferiram se manter em silêncio durante sessão da CPI dos Apps | Richard Lourenço/Câmara de SP

Representantes de duas empresas de publicidade, que eram contratadas pelo IFood, estiveram nesta terça-feira na CPI dos Aplicativos da Câmara Municipal de São Paulo para esclarecerem as denúncias de terem criado perfis falsos em redes sociais e de infiltrarem em atos para manipular a opinião de motofretistas contra a mobilização de entregadores por mais direitos, em 2021. A Social QI e Benjamim Comunicação, porém, apresentaram um habeas corpus e se recusaram a responder qualquer pergunta feita pelos vereadores paulistanos.

Continua após a publicidade

“Foi constrangedor”, disse o assessor de um vereador participante da CPI, em contato com a reportagem da Gazeta.

Uma terceira empresa, Locomotiva Consultoria, também foi convocada mas remarcou a presença para a próxima semana. 

As denúncias contra as empresas de publicidade foram feitas originalmente pela Agência Pública, e publicada em abril deste ano sob o título “A máquina oculta de propaganda do Ifood”. 

Continua após a publicidade

A reportagem revelou que contratados das empresas se infiltraram em manifestações de entregadores para tentar enfraquecer a busca dos trabalhadores por mais direitos, em um momento em que eles tinham um trabalho fundamental durante a pandemia da Covid-19. Os profissionais também teriam criado perfis falsos pelas redes sociais com o mesmo fim.

Os representantes das empresas já haviam sido convidados a esclarecerem a situação em reuniões anteriores da CPI, o que não ocorreu. Por causa das ausências, os vereadores aprovaram a convocação deles para prestarem depoimento.

A vereadora Luana Alves (PSOL), autora dos requerimentos de convocação, ressaltou a necessidade de os representantes das empresas de publicidade serem ouvidos pela CPI dos Aplicativos. 

Continua após a publicidade

“É um tipo de prática [infiltrar agentes em manifestações sindicais] que é
crime, é criminosa, antissindical. E eles têm que vir aqui depor, têm que vir explicar o que foi isso e, inclusive, ter a oportunidade de dizer se foi verdade ou se não foi verdade”, afirmou e a vereadora, em contato com a reportagem.

“Essas empresas possuem informações que são de interesse público, que falam diretamente sobre como se estabelece a relação entre o iFood e seus
trabalhadores. Se abster de apresentar qualquer justificativa é um indicativo muito significativo sobre a veracidade das denúncias”, completou a vereadora.

A CPI irá intimar novamente o iFood para prestar novos esclarecimentos sobre a relação com as empresas de publicidade. A próxima sessão da CPI dos Aplicativos está marcada para a próxima terça-feira (9).