Representantes de duas empresas de publicidade, que eram contratadas pelo IFood, estiveram nesta terça-feira na CPI dos Aplicativos da Câmara Municipal de São Paulo para esclarecerem as denúncias de terem criado perfis falsos em redes sociais e de infiltrarem em atos para manipular a opinião de motofretistas contra a mobilização de entregadores por mais direitos, em 2021. A Social QI e Benjamim Comunicação, porém, apresentaram um habeas corpus e se recusaram a responder qualquer pergunta feita pelos vereadores paulistanos.
“Foi constrangedor”, disse o assessor de um vereador participante da CPI, em contato com a reportagem da Gazeta.
Uma terceira empresa, Locomotiva Consultoria, também foi convocada mas remarcou a presença para a próxima semana.
As denúncias contra as empresas de publicidade foram feitas originalmente pela Agência Pública, e publicada em abril deste ano sob o título “A máquina oculta de propaganda do Ifood”.
A reportagem revelou que contratados das empresas se infiltraram em manifestações de entregadores para tentar enfraquecer a busca dos trabalhadores por mais direitos, em um momento em que eles tinham um trabalho fundamental durante a pandemia da Covid-19. Os profissionais também teriam criado perfis falsos pelas redes sociais com o mesmo fim.
Os representantes das empresas já haviam sido convidados a esclarecerem a situação em reuniões anteriores da CPI, o que não ocorreu. Por causa das ausências, os vereadores aprovaram a convocação deles para prestarem depoimento.
A vereadora Luana Alves (PSOL), autora dos requerimentos de convocação, ressaltou a necessidade de os representantes das empresas de publicidade serem ouvidos pela CPI dos Aplicativos.
“É um tipo de prática [infiltrar agentes em manifestações sindicais] que é
crime, é criminosa, antissindical. E eles têm que vir aqui depor, têm que vir explicar o que foi isso e, inclusive, ter a oportunidade de dizer se foi verdade ou se não foi verdade”, afirmou e a vereadora, em contato com a reportagem.
“Essas empresas possuem informações que são de interesse público, que falam diretamente sobre como se estabelece a relação entre o iFood e seus
trabalhadores. Se abster de apresentar qualquer justificativa é um indicativo muito significativo sobre a veracidade das denúncias”, completou a vereadora.
A CPI irá intimar novamente o iFood para prestar novos esclarecimentos sobre a relação com as empresas de publicidade. A próxima sessão da CPI dos Aplicativos está marcada para a próxima terça-feira (9).
