O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso nesta sexta-feira (6/11), após a conclusão da votação da perda de seu mandato pelo Senado do país sul-americano.
A ordem foi emitida por quatro promotores do Ministério Público do país responsáveis pelo caso. Em seguida, a Polícia Federal local foi a casa de Peña, na capital Assunção, assim que o Senado encerrou o julgamento, e cumpriu a ordem e realizar a prisão do político.
O Ministério Público do Paraguai acusa Peña de lesão de confiança e tentativa de estelionato. A investigação também aponta suspeitas de enriquecimento ilícito e outros possíveis crimes relacionados ao caso Ueno Bank, de acordo com o portal notícias local “ABC Color”.
Quem é Santiago Peña
Santiago Peña Palacios, de 47 anos, é um economista e político paraguaio de orientação conservadora, filiado ao tradicional Partido Colorado. Ele foi eleito presidente do Paraguai em 2023 aos 44 anos, tornando-se o governante mais jovem a assumir o comando do Executivo no país desde a redemocratização em 1989.
Com formação em Economia pela Universidade Católica de Assunção e mestrado em Administração Pública pela Universidade Columbia, em Nova York, Peña construiu uma sólida trajetória técnica antes de ingressar na política partidária. Atuou no Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, fez carreira no Banco Central do Paraguai e ocupou o cargo de ministro da Fazenda entre 2015 e 2017, durante a gestão do ex-presidente Horacio Cartes.
No campo ideológico, consolidou uma imagem de perfil técnico aliado a pautas morais e econômicas alinhadas à direita conservadora. Sua trajetória política ficou marcada pelo papel central no Partido Colorado e pela transição do meio acadêmico e financeiro para o mais alto posto do governo paraguaio, culminando em sua renúncia em meio ao colapso do sistema bancário ligado ao banco Ueno.
O que é e qual o papel do banco Ueno na crise
O banco digital Ueno (antigo Financiera Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez) era considerado uma das principais fintechs de crescimento rápido no Paraguai, acumulando cerca de 3 milhões de correntistas, em um país de aproximadamente 7,5 milhões de habitantes.
Além do grande volume de clientes individuais, a instituição privada mantinha sob sua custódia cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo repasses e fundos essenciais do Instituto de Previdência Social (IPS) paraguaio.
A trajetória da instituição e a origem da crise envolvem pontos centrais:
- Conexão política: o ex-presidente Santiago Peña foi acionista direto do grupo controlador da instituição até março de 2023, antes de assumir o comando do Executivo. A oposição e setores da sociedade acusaram seu governo de conflito de interesses, favorecimento e falta de fiscalização sobre as operações do banco.
- Abertura de liquidação: a crise estourou quando o Banco Central do Paraguai (BCP) determinou a liquidação e o encerramento das atividades do Ueno após constatar insuficiência grave de recursos para cobrir as obrigações da instituição. A autoridade monetária apontou a concessão de empréstimos irregulares e sem garantias para empresas vinculadas ao próprio grupo financeiro.
- Ações judiciais e bloqueios: após o anúncio do fechamento, a Procuradoria do Paraguai acusou formalmente dezenas de pessoas ligadas à administração do banco, emitindo mandados de prisão contra executivos e ordenando o congelamento e bloqueio de bens dos envolvidos.
- Impacto no sistema financeiro: o travamento dos fundos do Ueno gerou pânico bancário, filas históricas de correntistas em busca de saques e instabilidade temporária nos aplicativos de outras instituições financeiras do país devido ao alto volume de transferências de urgência.









