Ministro da Economia diz não ter dúvida sobre recessão nos EUA e na Europa

Guedes acredita que o Brasil pode ser beneficiado com a busca crescente dos países de forma geral por parceiros comerciais de maior proximidade geográfica

O ministro da Economia, Paulo Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes | Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira (14) que prevê uma recessão das grandes economias globais dos Estados Unidos e da Europa nos próximos meses, frente à combinação de uma persistente pressão inflacionária com o ciclo de alta dos juros, que deve causar impactos negativos no ritmo de atividade econômica nos mercados desenvolvidos.

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Os choques de oferta nas cadeias produtivas globais causados nos últimos anos pela pandemia, e exacerbados mais recentemente pela Guerra da Ucrânia, foram citados pelo ministro entre as principais razões que explicam o quadro de estagflação projetado à frente.

“Não acho que vai melhorar tão cedo. Vai agravar bastante a situação da economia mundial”, afirmou Guedes durante participação no evento Brasil Investment Forum, em São Paulo. “Não tenho a menor dúvida que vem recessão na Europa, nos Estados Unidos.”

Neste cenário, ele disse que o Brasil pode ser beneficiado com a busca crescente dos países de forma geral por parceiros comerciais de maior proximidade geográfica, e que não representem um risco para os vizinhos, como a Rússia.

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“Quem está perto e é amigo tanto da Europa, quanto da América, da China, da Rússia? O Brasil dança com todo mundo”, afirmou o ministro, acrescentando que melhorias no quadro fiscal e tributário do país se fazem necessárias antes de uma abertura agressiva aos parceiros comerciais do exterior, de modo a tornar a indústria local mais competitiva para fazer frente ao aumento da concorrência.

“Somos liberais, mas não somos trouxas”, disse o ministro.

CORTE DE TRIBUTO

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Guedes afirmou também que reduções de tributos pelo governo dão margem para que preços não sejam reajustados a todo momento, mesmo que custos subam. Ele disse ainda que não há ideia de tabelamento de preços no governo.

Na última semana, o ministro da Economia e o presidente Jair Bolsonaro fizeram apelo a empresários para que comprimam margens de lucro neste ano com o objetivo de segurar a inflação.

“Aprovamos ontem no Senado a redução do ICMS, já tínhamos feito a redução do IPI. Quando você reduz o IPI e o ICMS, você está dando uma margem de folga, mesmo que os custos subam, para não ficar reajustando o preço toda hora, foi nesse sentido que eu falei, não tem nada a ver com tabelamento”, afirmou. “Quem congelou preço no passado tem esse fantasma na cabeça pelo desastre que causou na economia.”