Paraquedismo: Justiça barra saltos em áreas de Boituva após morte

Medida foi tomada depois da morte de um aluno de paraquedismo que caiu sobre a cobertura de uma casa do município

Paraquedismo, em foto de arquivo

Paraquedismo, em foto de arquivo | Reprodução/TV TEM

A juíza Ana Cristina Paz Neri Vignola, em decisão liminar na sexta-feira (22), proibiu novos lançamentos de paraquedistas e voos em áreas urbanas de Boituva, no interior de São Paulo. A medida foi tomada depois da morte de um aluno de paraquedismo que caiu sobre a cobertura de uma casa no bairro Cidade Jardim, na última terça-feira (19). Cabe recurso, e a escola Wow Paraquedismo já recorreu da liminar.

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A vítima é o empresário Andrius Jamaico Pantaleao, 38, morador de Diadema, na região metropolitana de São Paulo. Durante o voo, nem o paraquedas principal nem o reserva abriram.

Segundo trecho da decisão, há indícios nos autos de que os alunos de paraquedismo são liberados para o salto, inclusive sobre áreas urbanas, por isso, proibiu liminarmente todas as escolas de fazerem o lançamento de paraquedistas, bem como voos em áreas urbanas da cidade de Boituva. Em caso de descumprimento a multa diária é de R$ 50 mil.

“(…) para que se evite que pessoas, coisas, objetos e aviões caiam, literalmente, sobre a cabeça e residência dos munícipes, protegendo-se, dessa forma, a salubridade dos cidadãos boituvenses, ofertando-se mais segurança a todos”, escreveu a juíza na decisão.

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Além disso, a juíza Ana Cristina Paz Neri Vignola suspendeu todas as atividades da escola Wow Paraquedismo, da qual Pantaleao era aluno, até a conclusão do laudo pericial que pode determinar as causas do não funcionamento dos paraquedas que causou a morte do empresário.

A juíza, que é de Porto Feliz e acumula a 2ª Vara de Boituva, também solicitou que o responsável técnico do Centro Nacional de Paraquedismo esclareça e comprove documentalmente a área de salto permitida para o Centro Nacional de Paraquedismo em Boituva, esclarecendo se o salto do empresário foi realizado dentro da respectiva área.

“Além disso, considerando a gravidade do fato sob apuração, informe se é possível e se há interesse na alteração da referida área, por iniciativa do próprio Centro Nacional de Paraquedismo, a fim de que seja alocada fora da região de maior densidade populacional do Município de Boituva”, questionou a juíza.

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A Wow Paraquedismo disse que já foi notificada da decisão judicial e suspendeu as atividades.
“No entanto, o corpo jurídico da empresa já tomou as medidas legais cabíveis, no sentido de discutir a decisão do magistrado de Boituva”, declarou a escola.

A reportagem tentou contato com o Centro Nacional de Paraquedismo de Boituva via rede social e telefone fixo, mas não recebeu resposta.

O delegado Emerson Jesus Martins disse que apura se houve falha humana ou no equipamento, que foi apreendido para perícia. “Também precisamos saber porque ele saltou em área urbana.”

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De acordo com a Wow Paraquedismo, Pantaleao havia concluído o curso teórico e realizado 45 minutos de treinamento em túnel de vento, “sendo que o obrigatório é de 30 minutos”.

Outras mortes O empresário foi a quarta vítima durante salto de paraquedas em Boituva neste ano.
A paraquedista Bruna Ploner, 33, morreu em um acidente no Centro Nacional de Paraquedismo de Boituva, em 24 de abril. Ela filmava outro paraquedista quando colidiu contra o solo.

Em 11 de maio, dois paraquedistas morreram e outras 14 pessoas ficaram feridas após o avião em que estavam atingir uma torre de alta tensão e cair. Um dos mortos foi André Luiz Warwar, 53, e o outro foi o instrutor Wilson José Romão, 38.