Um acidente envolvendo um navio cargueiro acabou se transformando em uma descoberta inesperada para a ciência. Em 1992, aproximadamente 28,8 mil brinquedos de borracha caíram no Oceano Pacífico e começaram uma viagem que duraria mais de duas décadas.
O que parecia apenas um episódio de poluição marítima despertou o interesse de pesquisadores. Ao acompanhar os objetos espalhados pelo planeta, os cientistas conseguiram compreender melhor o comportamento das próprias correntes oceânicas.
Resumo da saga dos patinhos em imagens
Milhares de patinhos foram passear…
Tudo começou em 10 de janeiro de 1992, quando um navio transportava mercadorias da China para os Estados Unidos. Durante a travessia do Pacífico Norte, uma tempestade provocou a queda de 12 contêineres no mar.
Entre as cargas perdidas estavam 28.800 brinquedos de banho da fabricante americana The First Years. Apesar de terem ficado conhecidos como patinhos de borracha, os objetos incluíam quatro animais diferentes.

Como os brinquedos foram produzidos para permanecer na superfície da água, eles não afundaram após o acidente. Em vez disso, começaram a ser transportados pelos ventos e pelas correntes marítimas.
Meses depois, os primeiros brinquedos viajantes apareceram nas praias do Alasca, a milhares de quilômetros do ponto onde haviam caído. A descoberta chamou a atenção de pesquisadores.
Experimento inesperado
O oceanógrafo americano Curtis Ebbesmeyer percebeu que os brinquedos poderiam ajudar a identificar os caminhos percorridos pelas correntes marítimas.
Ele passou a reunir informações sobre os locais e as datas em que os objetos eram encontrados, contando com a colaboração de moradores, colecionadores e banhistas.

O pesquisador já havia estudado acidentes semelhantes. Em 1990, acompanhou a dispersão de milhares de tênis da Nike que caíram de uma embarcação, observando como os diferentes formatos influenciavam seus trajetos.
No caso dos brinquedos, Ebbesmeyer trabalhou com o cientista James Ingraham, que utilizou modelos computacionais para simular a movimentação das correntes. Ao comparar as previsões com os lugares onde os objetos eram encontrados, a dupla conseguiu aprimorar a compreensão sobre a circulação das águas superficiais.
O que eles revelaram?
A dispersão dos brinquedos ajudou os pesquisadores a observar o funcionamento das correntes marítimas e a comparar os deslocamentos reais com as previsões de seus modelos.
Os estudos também contribuíram para compreender como resíduos flutuantes podem permanecer durante anos no oceano, acumulando-se em determinadas regiões ou alcançando praias distantes.

Os pesquisadores estimaram que uma parcela expressiva dos brinquedos poderia ter sido transportada para essa região, enquanto outros continuaram circulando por diferentes oceanos.
O episódio ganhou destaque internacional e inspirou livros como Flotsametrics and the Floating World, escrito por Curtis Ebbesmeyer, e Moby Duck, publicado por Donovan Hohn em 2011.
Embora tenham contribuído para o conhecimento científico, os brinquedos também representam um problema ambiental. Afinal, os milhares de objetos permaneceram no mar como resíduos plásticos.








