O Parque Estadual do Morro Grande, localizado entre Cotia e Ibiúna, na Grande São Paulo, completa seu primeiro ano em novembro com uma programação especial. A unidade de conservação possui 10.870 hectares de Mata Atlântica e é apontada como a maior floresta inserida em área urbana do mundo.
Para celebrar o aniversário, a Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), preparou atividades esportivas, ambientais e institucionais ao longo do mês.
A programação inclui corrida de montanha, trilhas monitoradas, observação de aves e pedalada comemorativa. As iniciativas também buscam aproximar os moradores da região do patrimônio natural protegido pelo parque.
Parque Estadual do Morro Grande terá corrida, trilhas e pedalada em novembro
A primeira atividade acontece neste domingo (8/11), com o Trail Run Morro Grande. A corrida terá 22 quilômetros por estradas de terra em meio à vegetação nativa da Mata Atlântica.
A concentração começa às 6h30, com largada prevista para as 7h, em frente à UBS Morro Grande, na Avenida das Graças, 755, em Cotia. A prova atende participantes maiores de 18 anos com preparo físico adequado.
A agenda continua em 14 de novembro, com uma trilha monitorada, e em 21 de novembro, com uma oficina de observação de aves.
O encerramento ocorre em 29 de novembro, com uma pedalada comemorativa e um ato institucional. A programação também prevê a participação de autoridades municipais e representantes da Fundação Florestal.
Na ocasião, a organização formalizará a posse do Conselho Consultivo da unidade, instalará a placa oficial de identificação e assinará um termo de cooperação com a Prefeitura de Cotia.
Outro marco será a integração do parque à Rede Trilhas, iniciativa que conecta rotas de ecoturismo e áreas protegidas em São Paulo.
Área protegida tem origem em mobilização contra construção de aeroporto
A história do Parque Estadual do Morro Grande começou antes de sua criação oficial. No final da década de 1970, moradores e ambientalistas se mobilizaram para impedir a construção de um aeroporto metropolitano na região.
O movimento contou com nomes como Aziz Ab’Saber, Paulo Nogueira-Neto, Burle Marx e José Lutzenberger. A mobilização contribuiu para a preservação da área, que inicialmente recebeu o status de Reserva Florestal.
Em 2025, o governo estadual transformou a antiga reserva em parque estadual. O Decreto Estadual nº 70.046, de 4 de novembro daquele ano, oficializou a mudança.
A nova classificação adequou a unidade ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e garantiu proteção integral ao território.
A mudança também ampliou as possibilidades de visitação, pesquisa científica, educação ambiental e ecoturismo, sem deixar de priorizar a preservação ambiental.
Parque abriga centenas de espécies e protege abastecimento de água
Além da extensão territorial, o parque reúne uma biodiversidade expressiva. A área possui mais de 260 espécies de árvores e aproximadamente 200 espécies de aves, das quais 13 estão ameaçadas de extinção.
O território também abriga dezenas de espécies de mamíferos e uma diversidade de aranhas orbitelas, grupo conhecido pela construção de teias circulares.
Outro papel fundamental envolve a segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo. A unidade protege nascentes e cabeceiras do rio Cotia, que abastecem os reservatórios Pedro Beicht e Cachoeira da Graça.
Os dois reservatórios integram o Sistema Produtor Cotia, responsável pelo fornecimento de água de alta qualidade para aproximadamente 450 mil pessoas.
O parque também integra a Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo, reconhecida pela Unesco. Cerca de 87% de sua área apresenta cobertura vegetal nativa de Mata Atlântica.
Primeiro ano registra avanços na estrutura e na visitação
Desde a transformação em parque estadual, a gestão promoveu encontros com moradores de bairros como Caputera, Morro Grande e Caucaia do Alto, em Cotia.
A administração também participou de debates no Conselho de Meio Ambiente do município para ampliar a participação comunitária nas decisões relacionadas à conservação.
Na área operacional, a unidade passou a contar, em junho de 2026, com uma equipe especializada de brigadistas. Os profissionais utilizam um veículo 4×4 e equipamentos destinados à prevenção e ao combate a incêndios florestais.
A visitação e as ações de educação ambiental também ganharam espaço durante o primeiro ano. Atividades de trilhas e pedaladas monitoradas, realizadas em junho e setembro, reuniram mais de 270 participantes.
Já uma iniciativa relacionada ao Outubro Rosa, voltada à conscientização e à prevenção do câncer de mama, recebeu 216 pessoas.
Para o diretor executivo da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz, a consolidação da unidade reforça a proteção ambiental e a aproximação com a população.
Segundo ele, o trabalho busca conciliar a conservação da Mata Atlântica, a segurança hídrica, a pesquisa científica e o desenvolvimento do ecoturismo sustentável.









