Um líder religioso que convenceu seguidores a morrer de fome sob a promessa de alcançar o céu recebeu uma condenação de 200 anos de prisão no Quênia. Paul Nthenge Mackenzie foi considerado culpado pelo assassinato de 190 crianças e um adulto.
A sentença saiu na sexta-feira (6/11), no Tribunal Superior de Mombaça. Além do líder da seita, outros 28 integrantes do grupo receberam penas que variam de 10 a 160 anos de prisão.
Mackenzie comandava a Igreja Good News International, organização religiosa que pregava a proximidade do fim do mundo. Segundo as investigações, ele orientava os seguidores a jejuar até a morte para encontrar Jesus antes do encerramento da humanidade.
Como funcionava a seita que levou crianças à morte?
De acordo com a acusação, Mackenzie organizou a mudança dos seguidores para uma região isolada e determinou que eles abandonassem a alimentação.
O plano começava pelas crianças, que deveriam morrer primeiro. Depois, a orientação alcançaria os jovens, as mulheres e, por último, os homens.
Outros integrantes da organização ajudavam a impor as ordens. Segundo as autoridades, cúmplices ameaçavam, agrediam e impediam que pessoas contrárias ao jejum abandonassem o local.
A Justiça considerou que o grupo utilizava ensinamentos religiosos e uma estrutura organizada para obrigar os seguidores a participar da prática mortal.
Corpos foram encontrados em floresta no Quênia
O caso ganhou repercussão internacional em 2023, quando autoridades começaram a encontrar corpos enterrados em covas rasas na floresta de Shakahola, na região costeira do Quênia.
As escavações revelaram centenas de vítimas. Segundo informações divulgadas pela agência Reuters, as autoridades encontraram 448 corpos na área.
Os exames e as investigações apontaram diferentes causas de morte. Entre elas estavam a inanição e os homicídios praticados diretamente contra algumas vítimas.
O julgamento que resultou na condenação de Mackenzie tratou de 191 mortes, mas as autoridades investigam outros possíveis casos relacionados à organização.
Justiça impõe penas de até 200 anos
A Justiça dividiu a condenação de Mackenzie em duas partes: 100 anos pelos homicídios relacionados à privação de alimentos e outros 100 anos pelos assassinatos diretos.
Mackenzie deverá cumprir os dois períodos consecutivamente, totalizando 200 anos de prisão.
Entre os outros 28 condenados, as penas chegaram a 160 anos. A investigação também aponta que o número total de vítimas relacionadas ao grupo pode ultrapassar 500 pessoas.
O caso continua entre os episódios mais graves de mortes em massa associados a grupos religiosos registrados recentemente. A defesa de Mackenzie anunciou que pretende recorrer da decisão.
