Reforma tributária: 1ª versão do relatório é apresentada em Comissão

Eduardo Braga apresenta relatório da Reforma Tributária que modifica texto aprovado pela Câmara dos Deputados e preserva tributação no destino

A previsão é que a alíquota de referência dos novos tributos que substituirão os extintos será reduzida caso exceda a referência

A previsão é que a alíquota de referência dos novos tributos que substituirão os extintos será reduzida caso exceda a referência | Geraldo Magela/Agência Senado

Com 15 principais modificações, nesta quarta-feira (25) o senador Eduardo Braga (MDB-AM) apresentou à Comissão de Constituição, Cidadania e Justiça (CCJ) do Senado Federal o relatório da Reforma Tributária. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45, de 2019, quer ampliar exceções e a previsão é que a votação seja realizada entre os dias 7 e 9 de novembro com encaminhamento ao Plenário na mesma data da votação na Comissão.

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“A expectativa com relação ao impacto da Reforma no Produto Interno Bruto (PIB) e na economia como um todo indica crescimento e produtividade (…). O Tribunal de Contas da União (TCU) já previa ganhos a todos os setores da economia, ainda que com intensidade diferente (…). Entre os benefícios identificados pelo mercado estão a desoneração dos investimentos de exportação, a redução de custo com disputas judiciais e com o pagamento de tributos”, declarou Braga ao apresentar o relatório.

Em resumo, o texto não prevê aumento de impostos superior à média dos últimos dez anos. O relatório também prevê um teto calculado na média da receita dos impostos que serão extintos, o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

O novo relatório também prevê a instalação da Contribuição sobre Bens e Serviços. Se aprovada, a PEC transforma os cinco impostos acima em três. A CBS, o Imposto Seletivo e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Os novos tributos serão substitutios por etapas. A previsão é que a CBS esteja em pleno vigor em 2027, enquanto a expectativa para o IBS é o ano de 2033. Segundo o Banco Mundial, para os mais ricos, o impacto é de 10 a 13%, e uma das mais importantes novas políticas da reforma tributária é a do cashback.

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Para o secretário, a ideia da cashback, além de estabelecida pelo relatório de Braga, é crível e será reavaliada, em conjunto com a alíquota reduzida, de cinco em cinco anos. E mais, a PEC 45, além de ser uma política melhor, ela acaba com a guerra fiscal por meio da garantia da transferência de fundos constitucionais aos estados segundo as próprias vocações das unidades da federação. Com isso, ao invés de terem o benefício da redução pelo benefício apenas, será possível investir em infraestrutura e inovação, e em outros serviços. Inclusive no desenvolvimento de centros de benefício de softwares, por exemplo.

Tanto a CCJ quanto a Comissão de Assuntos Econômcos não conseguiram apontar previsão sobre o aumento ou diminuição da carga tributária, mesmo com a “trava de referência” prevista pelo relator, que tem como objetivo evitar o aumento na cobrança de impostos. Segundo a equipe econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o texto apresentado por Braga passa com nota 7, como revelou o secretário especial para a Reforma Tributária, Bernard Appy.

“A avaliação é positiva, em termpos de criação de ambiente político, as mudanças feitas na proposta técnica compensam”, avalia Appy na análise das exceções incluídas por Braga, em que se encontram a aviação, os profissionais liberais, as agências de turismo, o saneamento básico, e que não deveriam ter sido feitas, mas reconhece o esforço do relator de mitigar o efeito das exceções previstas pelo texto vindo da Câmara dos Deputados.

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Destaques da CCJ a PEC 45/2019

Até o momento, o relatório já recebeu 670 emendas, com mais de 30% acatadas (205). Após conceder vista coletiva da matéria, o presidente da Comissão, Davi Alcolumbre (União-AP), convocou reunião deliberativa para a terça-feira, 7 de novembro, 9h, para discussão e votação do relatório final na CCJ. A semana de 7 a 9 de novembro será dedicada para a votação também no Plenário. A meta é devolver a PEC para a Câmara dos Deputados até 10 de novembro.

Olhar social 

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É o que destacam as emendas propostas pela senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), que visam atender à população vulnerável do Brasil: “Não podemos ter uma reforma que pensa apenas na indústria, comércio e serviços – é preciso olhar também para o ocntribuinte, em especial aqueles que necessitam da assistência do Estado”, segundo a senadora paulista. Nesta quarta-feira (25), Mara apresentou mais uma emenda à PEC, para garantir a isenção de impostos na compra de veículos por pessoas com deficiência. A medida inclui ainda isenção para taxistas.

“Trata-se de uma medida que visa a inclusão social e a igualdade de oportunidades. Muitas pessoas com deficiência ou famílias que têm filhos com deficiências enfrentam dificuldades no dia a dia devido a problemas de mobilidade ou acessibilidade, e a aquisição de um veículo pode fazer toda a diferença em sua autonomia, proporcionando-lhes a liberdade de se deslocar. Ao aliviar o peso dos impostos, o Estado reconhece e age sobre as barreiras arquitetônicas e dos meios de transportes, que ainda são imensas nas cidades brasileiras”, avaliou a senadora.

A ideia apresenta isenção de impostos na compra de veículos zero quilômetro para pessoas com deficiência e taxistas, mantendo o direito já estabelecido atualmente que já garante a isenção do IPI e do ICMS. Como a Reforma substitui estes impostos pelo IBS, a emenda visa não retroceder no direito de isenção, “além de superar as barreiras econômicas, que muitas vezes impedem esses cidadãos de execerem sua cidadania”, justifica Mara Gabrilli.

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Outra questão controversa entre os tantos lobbys que, segundo a equipe econômica do governo, já foram atendidos, é o da cesta básica. “Acho positiva a criação de uma cesta básica com necessidades nutricionais mínimas e alíquota 0%, e de uma cesta básica com alíquota reduzida para os demais alimentos com a previsão do cashback”, constatou Appy na mesma entrevista.