Datafolha aponta recorde de 47% na avaliação negativa do STF e revela forte divisão entre eleitores de Lula e Flávio

Levantamento mostra queda na avaliação positiva da Corte e forte diferença entre eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro

Foto: Gustavo Moreno/STF

Avaliação negativa do STF chega a 47% e atinge maior nível da série histórica iniciada em 2019 /Gustavo Moreno/STF

A avaliação ruim ou péssima do trabalho dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu 47% dos eleitores brasileiros, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (26/9). O resultado representa um avanço de sete pontos percentuais em relação a maio, quando 40% tinham essa percepção, e corresponde ao maior índice negativo registrado pelo instituto desde o início da série histórica, em 2019.

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No outro extremo, apenas 18% consideram a atuação dos ministros ótima ou boa. O percentual repete o menor resultado já registrado para essa avaliação, observado em dezembro de 2019. Outros 31% classificam o desempenho do Supremo como regular, enquanto 4% não responderam.

O levantamento também evidencia uma diferença significativa entre os grupos de eleitores dos dois principais candidatos à Presidência citados na pesquisa. Entre quem declara voto em Lula (PT), 32% fazem uma avaliação positiva do STF. No eleitorado de Flávio Bolsonaro (PL), a taxa cai para 6%.

A avaliação negativa segue o movimento contrário: chega a 69% entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, enquanto corresponde a 24% entre os eleitores de Lula. Os números fazem parte de um levantamento mais amplo sobre a relação dos brasileiros com o Supremo e a atuação de seus ministros.

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Conflitos de interesse concentram maior rejeição

Além de medir a imagem do STF, o Datafolha apresentou aos entrevistados situações que poderiam ocorrer durante o exercício do cargo de ministro. O resultado mostra que determinadas condutas são amplamente rejeitadas pela população.

A situação que recebeu maior índice de reprovação envolve conflito familiar em processos judiciais. Para 88% dos entrevistados, seria inaceitável que um ministro julgasse um processo de uma pessoa cujo advogado fosse seu parente.

A participação em eventos patrocinados por empresas com processos no próprio tribunal também enfrenta forte resistência: 85% consideram inaceitável que um ministro aceite esse tipo de convite.

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Já decisões que possam favorecer ou prejudicar candidatos à Presidência durante o período eleitoral são rejeitadas por 82% dos entrevistados.

Outras práticas tiveram índices menores, mas ainda foram consideradas inaceitáveis pela maioria. É o caso de um ministro ser sócio de uma empresa privada e de receber pagamentos por palestras de empresas particulares, situações rejeitadas por 78% em cada caso.

Também há maioria contrária a manifestações públicas sobre processos em andamento. Para 71%, é inaceitável que um ministro conceda entrevistas ou dê opiniões sobre ações que ainda estejam sendo julgadas.

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Código de ética divide opiniões

A criação de regras específicas de conduta para os integrantes do Supremo encontra mais apoio do que oposição entre os entrevistados.

Segundo o Datafolha, 45% são favoráveis à aprovação de um código de ética para ministros do STF. Desse grupo, 23% são totalmente favoráveis e 23% parcialmente favoráveis.

A proposta é rejeitada por 33%: 18% são totalmente contrários e 15% parcialmente contrários. Outros 5% não se posicionam nem a favor nem contra, enquanto 17% não souberam responder.

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A elaboração do código está entre as iniciativas associadas à presidência de Edson Fachin no Supremo. A proposta pretende estabelecer parâmetros relacionados a conflitos de interesse, transparência e conduta dos ministros.

Em fevereiro, Fachin indicou Cármen Lúcia como relatora do tema. A discussão, porém, encontrou resistência dentro da própria Corte.

Caso Banco Master aparece no levantamento

A pesquisa também procurou saber quanto os eleitores conhecem as suspeitas que envolvem integrantes do STF e o Banco Master. O assunto ganhou espaço após a divulgação de informações e mensagens relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

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De acordo com o Datafolha, 77% afirmam ter conhecimento das suspeitas, enquanto 23% dizem não estar informados sobre o assunto.

Entre aqueles que declararam conhecer o caso, 68% afirmaram acreditar que existe envolvimento de ministros do Supremo. Outros 2% disseram não acreditar nessa hipótese, e 7% não souberam responder.

As informações mencionadas no levantamento envolvem diferentes ministros. No caso de Alexandre de Moraes, mensagens extraídas do celular de Vorcaro foram discutidas pelo plenário do STF neste mês.

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A análise acabou interrompida após uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes e, posteriormente, por um pedido de vista de Flávio Dino.

Dias Toffoli também foi citado em informações relacionadas ao caso, incluindo referências ao resort Tayayá. Já documentos da Polícia Federal e do Conselho Nacional de Justiça mencionaram Kassio Nunes Marques em relação a supostas articulações envolvendo interesses de Vorcaro.

O nome de André Mendonça apareceu em mensagens do banqueiro sobre uma reunião com o ministro. Mendonça afirmou que o encontro ocorreu oficialmente em seu gabinete, em uma audiência formal.

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Pesquisa ouviu 2.002 eleitores

O Datafolha realizou as entrevistas entre 22 e 24 de setembro, presencialmente, em pontos de fluxo populacional. Ao todo, foram ouvidos 2.002 eleitores.

A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada por Folha e Globo e está registrada no TSE sob o número BR-00304/2026.

O levantamento também perguntou sobre o impacto da atuação do STF nas candidaturas presidenciais. Para 33% dos entrevistados, o desempenho dos ministros prejudica mais do que beneficia a candidatura de Flávio Bolsonaro. Outros 23% disseram que a atuação da Corte prejudica mais do que beneficia Lula.