Doença inflamatória intestinal cresce 5 vezes no Brasil desde 2012 e pesquisadores projetam novos aumentos até 2035

Levantamento baseado em registros do SUS mostra avanço de Crohn e retocolite ulcerativa e aponta desafios para o atendimento dos pacientes

O tratamento busca controlar a inflamação e os sintomas, mas exige acompanhamento médico por longos períodos.

O tratamento busca controlar a inflamação e os sintomas, mas exige acompanhamento médico por longos períodos. Foto: Reprodução/Magnific

A doença inflamatória intestinal aumentou no Brasil entre 2012 e 2025, segundo levantamento apresentado em setembro de 2026. O estudo analisou registros do SUS e reuniu dados de pesquisadores brasileiros e estrangeiros para avaliar a evolução dessas enfermidades.

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Doença inflamatória intestinal avança no período

Os registros analisados mostram que a quantidade de pessoas diagnosticadas passou de 30 para 158 casos por 100 mil habitantes. O crescimento ocorreu ao longo de 13 anos e envolve doenças como Crohn e retocolite ulcerativa.

O levantamento também apontou aumento no número de novos diagnósticos anuais. A taxa passou de 9,35 para 12,34 casos por 100 mil habitantes entre 2012 e 2025.

Os pesquisadores apresentaram os resultados durante o 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, realizado em Balneário Camboriú, Santa Catarina. O trabalho envolveu integrantes da Sociedade Brasileira de Coloproctologia e pesquisadores de universidades do Brasil e do Canadá.

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Quais doenças fazem parte desse grupo

A doença inflamatória intestinal reúne enfermidades crônicas que provocam inflamação no sistema digestivo. Entre as principais estão a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa.

A retocolite ulcerativa afeta principalmente o cólon. Segundo a Conitec, a doença pode provocar diarreia com sangue, cólicas, urgência para evacuar, anemia e perda de peso.

Já a doença de Crohn pode atingir diferentes partes do aparelho digestivo. O Ministério da Saúde informa que os sintomas podem incluir diarreia, sangramento, dor abdominal, perda de peso e febre. O diagnóstico combina avaliação clínica com exames laboratoriais, endoscópicos e de imagem.

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Fatores ligados às doenças intestinais

Os pesquisadores consideram que não existe uma única causa para o surgimento dessas enfermidades. Fatores genéticos e ambientais podem participar do desenvolvimento da doença inflamatória intestinal.

A alimentação também aparece entre os fatores estudados. O levantamento cita mudanças nos hábitos alimentares e o maior consumo de produtos ultraprocessados como possíveis elementos relacionados ao cenário atual.

Isso não significa que um alimento específico provoque a doença. A relação envolve diferentes fatores e ainda depende de novas pesquisas para esclarecer os mecanismos envolvidos.

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Tratamento exige acompanhamento contínuo

A doença inflamatória intestinal não possui cura conhecida. O tratamento busca controlar a inflamação, reduzir os sintomas e evitar complicações.

O SUS possui protocolos específicos para essas doenças. A Conitec mantém diretrizes para diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes com retocolite ulcerativa e doença de Crohn.

Para a doença de Crohn, o SUS também incorporou novas opções terapêuticas nos últimos anos. O objetivo é ampliar as alternativas para pacientes que não respondem adequadamente aos tratamentos anteriores.

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O estudo apresentado em 2026 também projetou novos aumentos nos próximos anos. Os pesquisadores estimam que a incidência anual pode chegar a 22,7 casos por 100 mil habitantes em 2035.

A evolução dos registros reforça a necessidade de acompanhar os casos e ampliar o conhecimento sobre as doenças inflamatórias intestinais.