Conheça as loucuras e exigências do Rock In Rio – parte 2- Bandas nacionais

De garrafadas a exigências inusitadas no camarim, confira as histórias e polêmicas mais bizarras dos artistas brasileiros nos bastidores do Rock in Rio

Barão Vermelho está entre as bandas que já fizeram exigências ao participar do festival /Leo Franco/AgNews

Já falamos sobre as maluquices das bandas internacionais no Rock in Rio. Mas quem disse que os artistas brasileiros não aprontaram?

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Ney Matogrosso foi quem abriu o primeiro Rock in Rio. Mas nos bastidores, o clima pesou quando a produção do Queen exigiu que o corredor de acesso aos camarins fosse completamente esvaziado para a realeza passar. Os artistas brasileiros, incluindo Ney e os integrantes do Barão Vermelho, ficaram revoltados por terem sido “confinados” em seus próprios camarins para dar privilégio aos gringos.

Aliás, pouca gente percebeu, mas como a abertura do Rock in Rio era também um dia dedicado ao metal do Iron Maiden, a platéia metaleira começou a arremessar ovos cozidos no palco. Sim, os ambulantes da Cidade do Rock vendiam ovos cozidos lá dentro! Sem se abalar, Ney ignorou os projéteis gastronômicos, entregou um show impecável e conquistou o respeito dos remanescentes da plateia.

O show do Barão Vermelho em 1985 coincidiu exatamente com o dia da eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, decretando o fim da Ditadura Militar no Brasil. O momento em que Cazuza cantou Pro Dia Nascer Feliz segurando a bandeira do Brasil marcou a história do país.

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Já o pessoal do Kid Abelha abriu a porta do camarim e encontrou uma galinha preta morta com farofa e velas, um despacho de macumba feito por algum desafeto ou brincalhão.

Durante a terceira edição, os integrantes do Ultraje a Rigor decidiram aproveitar a enorme área VIP do festival após o show. Animados com as bebidas e a farta recepção, alguns membros da banda e da equipe invadiram a piscina do espaço completamente nus no meio da madrugada.

Erasmo Carlos passou por um sufoco digno de comédia pastelão nos bastidores do Rock in Rio III. Minutos antes de ser chamado para o palco, o Tremendão foi usar um dos banheiros químicos do camarim. A tranca emperrou por dentro e o cantor, que era um homem muito alto e forte, ficou totalmente claustrofóbico e preso. Ele precisou esmurrar a porta e gritar por socorro até que produtores usaram um pé de cabra para libertá-lo a tempo do show.

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Ivete Sangalo é considerada a “rainha” do festival, tendo se apresentado em quase todas as edições nacionais e internacionais, como o Rock in Rio Lisboa. Apesar de ser muito elogiada pela simpatia com a equipe, ela tem uma exigência fixa e rigorosa: centenas de litros de água de coco natural extraída na hora para ela e sua equipe, além de uma bacia de sashimi fresco no camarim.

Quando se apresentou no Palco Mundo, Anitta fez pedidos focados em agradar toda a sua equipe e os bailarinos. Ela solicitou uma estrutura gastronômica que parecia uma lanchonete de fast-food particular: uma máquina de fazer batata frita na hora, dezenas de hambúrgueres e centenas de docinhos típicos brasileiros, como brigadeiro e beijinho, para a festa pós-show nos camarins.

Ao sair do palco, o cantor Supla viu um dos carrinhos de golfe oficiais da organização, usados exclusivamente para transportar grandes estrelas internacionais como Britney Spears e Sting, dando sopa com a chave na ignição. O “Charada Brasileiro” não pensou duas vezes: deu partida no veículo e saiu pilotando em alta velocidade pela Cidade do Rock, dando carona para fãs e fugindo dos seguranças do festival.

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No Rock in Rio II, a escalação dos dias era separada por gêneros musicais. O dia 26 de janeiro de 1991 ficou conhecido como o “Dia do Metal”, trazendo gigantes como Sepultura, Megadeth, Judas Priest e Guns N’ Roses. Por um erro grave de planejamento da produção, o cantor brasileiro Lobão foi escalado para tocar no meio dessas bandas.

Assim que Lobão subiu ao palco acompanhado pela bateria da escola de samba Mangueira, a plateia de metaleiros começou a vaiar e arremessar dezenas de copos de plástico, latas e moedas no palco. Lobão tentou peitar o público, xingou de volta e gritou no microfone.

Porém, ao perceber que a situação era irreversível e que a integridade física dos ritmistas da Mangueira estava em risco, ele interrompeu o show na terceira música, deu o dedo do meio para a platéia e declarou que nunca mais tocaria no festival, uma promessa que ele cumpriu até hoje.

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Exatamente dez anos depois, o erro de escalação se repetiu no Rock in Rio III. No dia 14 de janeiro de 2001, o line-up do Palco Mundo contava com o pop rock do Pato Fu e o metal do Sepultura, Papa Roach e Guns N’ Roses. Carlinhos Brown foi escalado para tocar logo antes das atrações pesadas, mas o público de 150 mil pessoas queria rock pauleira.

As vaias começaram antes mesmo de ele começar a cantar, mas a coisa pegou mesmo quando começaram a jogar garrafas de água mineral cheias de urina nele. Só que Carlinhos não abandonou o palco, como Lobão. Ele decidiu enfrentar a multidão com discursos de paz e provocação. Ele pegou o microfone e gritou frases que viraram meme e história: “Pode jogar o que quiser que eu sou da paz e nada me atinge!” e “Vocês que gostam de rock têm muito que aprender sobre o amor!”.

No ápice da tensão, Brown pegou um dos baldes de gelo do palco, virou na cabeça e tocou uma versão percussiva do Hino Nacional brasileiro sob uma tempestade de garrafas, saindo de cabeça erguida após cumprir todo o tempo estipulado do show.

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