Dia das Crianças chegando, uma excelente oportunidade de falar sobre consumo, escolhas e independência. Ensinar uma criança a lidar com o desejo é também ensiná-la a fazer escolhas, estabelecer prioridades e lidar com frustrações. Basta entrar em uma loja de brinquedos ou passear por um shopping para ouvir a frase que tantos pais conhecem bem: “Eu quero!”.
Pode ser o brinquedo anunciado na mídia, o lançamento que todos os colegas têm ou simplesmente algo que chamou a atenção naquele instante.
O desejo aparece e o pedido vem. Em uma sociedade que estimula o consumo o tempo todo, aprender a diferenciar querer de precisar tornou-se uma habilidade importante para a vida. Querer não é errado. O desejo faz parte da infância, alimenta a imaginação e desperta a curiosidade.
O problema começa quando a criança não aprende essa diferenciação, passando a exigir que todo desejo seja atendido imediatamente.
Na tentativa de evitar qualquer frustração, muitos pais compram tudo o que os filhos pedem, perdendo oportunidades valiosas de ensinar. Afinal, a vida nem sempre nos oferece tudo o que queremos, no momento em que queremos. É justamente nas pequenas situações cotidianas que a educação acontece.
Diante de um novo pedido, em vez de responder automaticamente com um sim ou um não, os pais podem transformar o momento em uma oportunidade de reflexão: “Por que você quer esse brinquedo?” “Você acredita que vai brincar com ele por bastante tempo?” “Você realmente precisa disso para viver ou simplesmente quer?” “Se escolher esse presente, será que pode abrir mão de outro?” Perguntas simples ajudam a criança a pensar sobre suas vontades, avaliar alternativas e compreender que toda escolha envolve prioridades.
Não se trata de fazer com que ela deixe de desejar, mas de ajudá-la a desenvolver critérios para decidir. O mesmo vale para o dinheiro.
Quando a criança aprende a guardar parte do que recebe, esperar para comprar algo que deseja ou comparar possibilidades antes de decidir, começa a compreender que suas decisões têm consequências. Mais do que aprender a economizar, ela está desenvolvendo responsabilidade, planejamento e autonomia. É importante destacar que nem toda necessidade ou vontade de comprar da criança é material.
Às vezes, por trás do pedido insistente por um brinquedo, existe o desejo de pertencer a um grupo, de se sentir incluído ou de receber atenção.
Escutar a criança, compreender suas motivações e acolher seus sentimentos é tão importante quanto estabelecer limites.
Neste Dia das Crianças, talvez devamos olhar para além da lista de presentes. Em vez de perguntar apenas o que nossos filhos querem ganhar, podemos nos perguntar como podemos ajudá-los.
Queremos crianças que recebam tudo pronto ou que aprendam a avaliar possibilidades? Que dependam sempre de alguém para decidir ou que construam confiança para fazer suas próprias escolhas? Que desistam diante do primeiro não ou que aprendam a lidar com a espera e a frustração? A educação também acontece na maneira como lidamos com um pedido no supermercado, com um brinquedo que não será comprado ou com a vontade de ter aquilo que o outro possui.
Porque formar crianças protagonistas não é ensinar a ter tudo o que querem, mas ajudá-las a pensar sobre o que desejam, compreender o que importa e fazer escolhas conscientes.
Nem todo desejo precisa ser uma conquista imediata, mas toda escolha pode ser um aprendizado para a vida.
Afinal, querer é diferente de precisar!
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