‘Lado escuro’ da Lua não é realmente escuro: entenda por que a face que não vemos da Terra também recebe luz do Sol

Lua mantém praticamente a mesma face voltada para a Terra, mas isso não significa que o outro hemisfério viva em escuridão permanente

Projeto da NASA quer instalar um radiotelescópio na face oculta da Lua para captar sinais emitidos logo após o Big Bang (Foto: Divulgação/NASA)

Hemisfério está oculto para quem observa a Lua a partir da Terra, mas não está permanentemente sem iluminação/Divulgação/NASA

Quando alguém fala em “lado escuro da Lua”, a expressão parece indicar uma região que nunca recebe luz. Mas não é isso que acontece.

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A face lunar que não conseguimos observar diretamente da Terra também passa por períodos de dia e noite.

A confusão acontece porque “lado escuro” acabou se tornando uma maneira popular de se referir ao lado oculto da Lua, ou seja, o hemisfério que permanece voltado para longe da Terra.

Por que sempre vemos praticamente a mesma face?

A Lua leva aproximadamente 27,3 dias para completar uma rotação ao redor de seu próprio eixo. Esse é praticamente o mesmo tempo que ela precisa para completar uma volta ao redor da Terra.

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Essa coincidência faz com que a Lua mantenha o mesmo hemisfério voltado para o nosso planeta. Uma forma simples de imaginar isso é caminhar ao redor de uma cadeira, mantendo o rosto sempre direcionado para ela.

Ao completar uma volta, você terá dado uma volta sobre si mesmo, mesmo sem perceber. É algo parecido com o que acontece com a Lua.

Por isso, a expressão “lado oculto” é mais precisa do que “lado escuro”. O hemisfério está oculto para quem observa a Lua a partir da Terra, mas não está permanentemente sem iluminação.

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O lado oculto também tem dia e noite

A iluminação da Lua depende da posição dela em relação ao Sol e à Terra.

Quando ocorre a Lua cheia, o Sol ilumina praticamente toda a face lunar voltada para nós. Nesse momento, grande parte da face distante está no período noturno.

Na Lua nova, a situação se inverte: a face voltada para a Terra fica majoritariamente sem iluminação direta, enquanto o lado oculto recebe luz solar.

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É justamente essa geometria que produz as diferentes fases lunares.

Portanto, a Lua não perde pedaços ao longo do mês. O que muda é a porção iluminada que conseguimos enxergar da Terra.

‘Lado escuro’ e ‘lado oculto’ não são a mesma coisa

A diferença parece pequena, mas é importante.

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Lado oculto descreve uma posição em relação à Terra. É a parte da Lua que permanece voltada para o espaço e que não conseguimos observar diretamente daqui.

Já “lado escuro” pode sugerir uma característica de iluminação permanente, o que está errado.

A própria NASA utiliza o conceito de far side, ou face distante, para se referir ao hemisfério que não fica voltado para a Terra.

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Isso também explica por que fotografias feitas por espaçonaves podem mostrar regiões que nenhum observador terrestre consegue enxergar diretamente.

Existem lugares da Lua que quase nunca recebem Sol

Isso não significa que toda a superfície lunar receba luz regularmente.

Nas regiões próximas aos polos existem crateras profundas cujos fundos permanecem em sombra permanente ou quase permanente.

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O fenômeno ocorre por causa da combinação entre o relevo lunar e a baixa altura do Sol no horizonte nessas regiões.

Esses locais são diferentes do chamado lado oculto.

Uma região pode estar no lado voltado para a Terra e permanecer em sombra, enquanto uma área da face distante pode estar recebendo luz solar.

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O que determina a iluminação é a posição em relação ao Sol, não o fato de estar escondida da Terra.

A Lua não tem um ‘lado eternamente escuro’

Por isso, a próxima vez que aparecer uma imagem da chamada “face escura da Lua”, vale fazer uma distinção.

Ela pode ser oculta para nós, mas isso não significa que esteja escura.

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A Lua inteira participa do ciclo de iluminação provocado pelo Sol. O que muda é qual parte está iluminada e qual parte conseguimos observar da Terra.

No espaço, “não consigo ver” e “não recebe luz” são duas coisas completamente diferentes.