Estudantes usam lã de ovelha e reduzem derretimento de geleira nos Alpes suíços em mais de 50%, aponta teste inédito

Iniciativa pioneira em um pico suíço testa alternativa ecológica e biodegradável às coberturas plásticas tradicionais para proteger o gelo das altas temperaturas no verão

Lonas convencionais de poliéster ou polipropileno costumam se desgastar com as chuvas e a exposição solar, liberando microplásticos que poluem o ecossistema e as fontes de água das montanhas/ Zimy Da Kid/Summit Foundation

Quatro estudantes da Universidade de Lausanne (UNIL), na Suíça, conseguiram desacelerar o derretimento de uma geleira nos Alpes em mais de 50% utilizando um método inusitado: mantas de lã de ovelha. O projeto, batizado de ‘Keep It Wool’ (“Aposte na Lã”), cobriu parte da geleira Glacier 3000, situada em Les Diablerets, entre os meses de junho e setembro.

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O experimento buscou testar se a lã natural e biodegradável seria uma alternativa viável às lonas sintéticas comumente usadas na região para preservar a neve durante o verão — prática conhecida como snow farming. Lonas convencionais de poliéster ou polipropileno costumam se desgastar com as chuvas e a exposição solar, liberando microplásticos que poluem o ecossistema e as fontes de água das montanhas.

Como funcionou o teste

Para comparar a eficiência dos materiais, os estudantes Maxime Galley, Elliot Gaffiot, Jose Bastidas e Léonard Duloube instalaram dois blocos de 10×10 metros cobertos por camadas de lã suíça com diferentes espessuras, além de uma terceira área de mesmo tamanho com o geotêxtil sintético tradicional.

As estruturas de lã foram fixadas com sacos reciclados preenchidos com pedregulhos. Ao longo do verão europeu, medições quinzenais registraram a perda de gelo e neve em cada setor.

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Os dados preliminares indicaram que a lã ofereceu uma proteção térmica tão eficiente quanto o material sintético, barrando mais da metade do derretimento sem agredir o meio ambiente.

Inspiração e limitações

A ideia surgiu a partir da exposição “Glaciers Under Cover”, realizada em 2025 pela professora de História da Arte Nathalie Dietschy (UNIL), que criticava o impacto ambiental das coberturas plásticas. Impulsionados pela Fundação Summit e pelo Centro Interdisciplinar de Pesquisa de Montanha (CIRM), os estudantes adotaram a lã por ser um recurso renovável, natural e de produção local.

Apesar da conquista, os próprios idealizadores destacam que a medida é emergencial e pontual. Nas últimas décadas, os Alpes suíços já perderam cerca de 40% de sua massa de gelo, e aproximadamente mil pequenas geleiras desapareceram.

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Os pesquisadores reforçam que, embora a lã ajude a preservar áreas estratégicas para o turismo ou infraestrutura local, a única solução definitiva contra o recuo dos glaciares continua sendo a redução global das emissões de gases de efeito estufa.