Velocidade Máxima: o carro ainda é uma paixão

Velocidade Máxima Drift Experience mostra em Guarulhos que o público não quer apenas admirar automóveis, mas viver experiências e celebrar uma cultura que atravessa gerações

O Espaço Inter recebeu mais de 5 mil pessoas para o Velocidade Máxima Drift Experience, evento que transformou o local em um grande encontro da cultura automotiva. Foto: Divulgação

Guarulhos viveu, no início deste mês, um daqueles dias em que o ronco dos motores ajuda a explicar uma paixão que atravessa gerações. O Espaço Inter recebeu mais de 5 mil pessoas para o Velocidade Máxima Drift Experience, evento que transformou o local em um grande encontro da cultura automotiva

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Mais do que uma exposição de carros, o evento mostrou uma tendência que merece atenção: o público quer participar. Quer ver, ouvir, experimentar e, principalmente, sentir o automóvel. A dimensão da festa impressionava. Mais de 100 veículos estavam expostos, o estacionamento ficou lotado, caminhões rebaixados ocuparam a área externa e uma programação que combinou música, gastronomia, comércio e atrações automobilísticas manteve o público durante mais de oito horas.

Mas foram os carros que roubaram a cena.

Entre eles estavam verdadeiros sonhos de consumo, como um Nissan GT-R preparado com mais de 1.000 cv, um Corvette Stingray 1972 e um raríssimo Audi R8 equipado com o espetacular motor V10 aspirado. Havia também espaço para a criatividade dos preparadores, como um VW Polo equipado com motor VR6 instalado na posição traseira central.

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A lista de curiosidades continuava. Um Ford Corcel 1975 equipado com motor Mercedes Kompressor mostrava que criatividade e preparação não têm idade. Um VW Karmann Ghia 1972, por sua vez, escondia sob a carroceria um motor de seis cilindros Subaru.

E ainda havia exemplares que parecem ter saído diretamente de um filme: um magnífico Gasser e um Ford Hiboy, representantes da cultura Hot Rod que também encontrou no Brasil admiradores dispostos a preservar e reinventar a história do automóvel.

No entanto, o centro das atenções estava na pista de drift. Velocidade, fumaça, controle e precisão transformaram as apresentações dos pilotos em um espetáculo que conseguiu atrair tanto os apaixonados pelo esporte quanto o público que talvez estivesse tendo seu primeiro contato com a modalidade.

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E houve participação direta. Foram mais de 150 caronas radicais ao longo do evento. Algumas delas tiveram significado ainda maior, como as experiências proporcionadas a crianças da APAE. É nesse momento que um evento automobilístico deixa de ser apenas uma demonstração de máquinas e passa a criar memórias.

Outra atração que chamou a atenção foi a transformação de um Porsche 911 Targa. Originalmente preto, o esportivo ganhou a cor vermelha diante do público por meio da aplicação de PPF. Foi uma oportunidade de acompanhar ao vivo um processo que normalmente acontece longe dos olhos dos consumidores.

A diversidade também estava nos estandes. Radiadores, rodas, adesivos, miniaturas, roupas ligadas ao automobilismo, scooters elétricas, acessórios para painéis, óculos esportivos, escapamentos e PPF fizeram parte da exposição. A Motul marcou presença, enquanto uma das novidades foi o lançamento de uma scooter elétrica assinada pelo bicampeão mundial de Fórmula 1 Emerson Fittipaldi.

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Do lado de fora, os caminhões rebaixados reforçavam outra característica importante da cultura automotiva brasileira. Ela não se limita às pistas, aos superesportivos ou aos carros preparados. É formada por diferentes tribos, estilos e gerações.

Talvez esteja aí o principal ensinamento do Velocidade Máxima Drift Experience.

Durante muito tempo, eventos automobilísticos foram pensados como grandes exposições nas quais o visitante caminhava entre carros. O modelo ainda funciona, mas já não é suficiente. O público de hoje quer interação, entretenimento e experiências.

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A comparação feita por diversas pessoas que já acompanharam no passado o antigo Salão do Automóvel no Anhembi pode parecer exagerada à primeira vista. Mas há uma razão para a lembrança. O que se viu em Guarulhos foi um público numeroso reunido em torno do automóvel, com diferentes interesses convivendo no mesmo espaço.

Havia o apaixonado por preparação, o admirador de superesportivos, o fã da cultura japonesa, o colecionador, o entusiasta de clássicos, o interessado em acessórios e também famílias que simplesmente queriam passar algumas horas em um ambiente diferente.

O drift, especialmente, tem uma vantagem evidente: é visual, emocionante e perfeitamente adaptado à linguagem das redes sociais. Quando bem organizado, consegue transformar esporte em espetáculo sem perder sua essência.

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A estrutura também mostrou que eventos desse porte exigem planejamento. O evento foi transmitido ao vivo com o apoio de mídia foi o Grupo GMG, com a transmissão integral do evento. A operação contou com apoio da Guarda Municipal de Guarulhos, ambulâncias e bombeiros. A arena coberta proporcionou conforto ao público e permitiu que a programação fosse realizada independentemente das condições climáticas.

No fim, porém, não são os números que melhor explicam o resultado.

São as pessoas. Mais de 5 mil visitantes, mais de 100 carros e mais de 150 caronas mostram que existe público. Existe paixão. Existe interesse por experiências relacionadas ao automóvel.

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O carro continua sendo muito mais do que um meio de transporte. Para milhões de brasileiros, ele ainda representa esporte, diversão, tecnologia, estilo de vida, trabalho, criatividade e, acima de tudo, paixão. Quando essa paixão consegue reunir crianças, famílias, pilotos, preparadores, colecionadores, fabricantes e aficionados pelo mesmo assunto, o resultado deixa de ser simplesmente uma exposição.

Viva a cultura.

E Guarulhos mostrou que existe espaço para ela