Vereador explica oposição a redução salarial

De Olho no Poder - Os fatos da política de São Paulo na visão do jornalista Bruno Hoffmann

Segundo Camilo, é demagogia sugerir a redução salarial sem saber o que foi feito com o dinheiro já destinado à prefeitura

Segundo Camilo, é demagogia sugerir a redução salarial sem saber o que foi feito com o dinheiro já destinado à prefeitura | Reprodução/Instagram

Prevista para ser realizada na quinta-feira (22), a votação para reduzir o salário dos vereadores de São Paulo em 30% e dos assessores em 20% foi adiada por não haver acordo entre as lideranças de bancadas. Um vereador já se mostrou parcialmente contrário à medida: Camilo Cristófaro (PSB). Segundo ele, é demagogia sugerir a redução salarial sem saber o que foi feito com o dinheiro já destinado à prefeitura. “Cadê o R$ 1 bilhão que foi para a saúde? O dinheiro sumiu. Não tem ninguém nos hospitais de campanha”. Ele afirmou que aceitaria reduzir o próprio salário, mas não acha justo fazer o mesmo com os servidores. Por fim, garantiu a este colunista que já doa totalmente seu salário, sem revelar o beneficiário. “Não interessa para quem. Quando a gente faz o bem, não tem que dizer para quem está fazendo o bem”.

Atualização.

Na tarde desta sexta-feira, a Câmara aprovou o corte de 30% dos vencimentos dos vereadores e de 30% da verba de custeio dos gabinetes. A medida se inicia em 1º de maio e vale até o fim do ano. Os vereadores excluíram o corte de 20% dos salários dos assessores que ocupam cargos comissionados.

Defesa a Moro.

O senador Major Olimpio (PSL-SP) saiu em defesa do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, que pediu demissão após afirmar que o presidente Jair Bolsonaro queria ter acesso a informações confidenciais da Polícia Federal. “Moro jamais permitira como ministro interferência na Polícia Federal”, afirmou Olimpio. O senador ainda disse que “podem tirar o cavalo da chuva” quem não tratar a PF nos limites da lei, e finalizou: “A Polícia Federal é polícia de estado, não polícia de governo nem de governante nenhum”.

Traição.

Após o pedido de demissão de Moro, o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) disse que a suposta tentativa de Bolsonaro de interferir politicamente na Polícia Federal representa uma traição à direita. “O compromisso do presidente não é com combate à corrupção, mas com a própria família e o próprio projeto de poder”, escreveu Kataguiri, figura importante nas manifestações de rua que culminaram com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016.

‘Dois vírus’.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também prestou solidariedade ao ex-ministro. Ele classificou a saída de Moro como um “golpe na democracia no Brasil”, e provocou o presidente Jair Bolsonaro. “Lamento, lamento muito, que nosso país tenha que lutar contra dois vírus: o coronavírus e o outro vírus que está no Palácio do Planalto”, disse, sem citar o nome do presidente.

Moro presidenciável.

Para o deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP), a saída de Moro o transforma automaticamente como o favorito para as próximas eleições presidenciais. “O ministro sai, mas sai já provavelmente pensando em 2022. Não podemos negar que o ministro Sergio Moro é um presidenciável a partir de agora muito forte”. Para o deputado, ao perder “um dos seus principais pilares”, o governo do presidente Jair Bolsonaro pode entrar em “um abismo com a perda da credibilidade popular”.

“Moro revelou crimes graves e acredito em todas as palavras dele”

Janaina Paschoal, deputada estadual, após pedido de demissão do ex-ministro Sergio Moro.