Eu nunca tive aquela vontade enorme de conhecer os Estados Unidos. Eu já gostava muito de viajar, mas minhas escolhas iam por outros caminhos.
Já tinha conhecido lugares como Madagascar, Egito, Chapada Diamantina, Chapada dos Veadeiros e Fernando de Noronha. Era esse tipo de viagem que me encantava: lugares diferentes, culturas, natureza, histórias… Eu queria descobrir o mundo, só não imaginava que os Estados Unidos fossem me conquistar.
Até que comecei a namorar o Rodrigo.
O Ro falava: “Quero muito te levar para os Estados Unidos”. E eu respondia: “Tá bom, um dia nós vamos…”. Não era implicância, eu simplesmente achava um destino meio clichê. Mas, lá no fundo, tinha uma desconfiança: no dia em que colocasse os pés lá, eu ia querer voltar sempre.
Em 2013, numa noite qualquer, estava conversando com minha enteada Luana, que é a maluca da Disney da família, e soltei: “Tá bom, vamos para a Disney nas próximas férias!”.
Na mesma hora pensei: “Pronto, me ferrei. Vou passar minhas férias num parquinho de diversões”.
Mal sabia eu.
Lembro até hoje da sensação de chegar a Orlando. Alguma coisa deu um clique dentro de mim. Talvez tenha sido perceber que aquele lugar não era só sobre brinquedos. Era também sobre se permitir brincar de novo.
Quando me dei conta, estava em montanha-russa, simuladores, tirando fotos com personagens e me divertindo com coisas que, poucos dias antes, eu jurava que não tinham nada a ver comigo.
Foi ali também que comecei a conhecer um pouco dos Estados Unidos: a organização, a praticidade e a maneira como muitas coisas são pensadas para facilitar a vida de quem está viajando.
Com o tempo, Orlando virou quase uma velha conhecida. Aprendi que no verão faz um calor danado, passa fácil dos 30 graus e a chuva pode aparecer do nada. Para economizar, vale pesquisar hotéis em Lake Buena Vista e International Drive. E, quando viajamos em turma, gosto muito da opção de alugar casa: tem cozinha, lavanderia, espaço para todo mundo e aquela bagunça gostosa de família reunida.
E Orlando não é só hambúrguer e comida de parque. Vale sair da rota turística. A região de Mills 50, por exemplo, tem restaurantes asiáticos, latinos e endereços reconhecidos pelo Guia Michelin. É uma Orlando que muita gente ainda não conhece.
Mas a melhor lembrança daquela primeira viagem veio no final.
A Luana olhou para mim, com aquela carinha de quem já sabia a resposta, e perguntou:
“E aí, tia, gostou?”
Eu respondi: “Gostei nada… já estou pensando em quando a gente vai voltar!”
Pronto. Estava feito o estrago.
Eu, que cheguei achando que passaria as férias num “parquinho de diversões”, voltei para casa querendo saber quando seria a próxima viagem.
E foi assim que começou uma história com os Estados Unidos que dura até hoje.







