Uma das coisas que eu e o Ro mais gostamos quando viajamos é justamente não seguir o roteiro o tempo inteiro. A gente vê uma estradinha bonita e entra, encontra um restaurante e para, avista alguma coisa diferente e muda os planos. Porque, para mim, viajar também é isso: deixar o destino surpreender você.
E foi assim que Avignon entrou na minha vida.
Era uma das primeiras viagens que fiz com o Ro pela França. Estávamos seguindo de Paris em direção ao sul quando vimos, bem longe, uma construção enorme cercada por muralhas.
O Ro olhou e falou: “Vamos ver aquele castelo?”
Parecia longe. Bem longe.
Eu respondi: “Bora!”
Afinal, se a gente já estava ali, por que não?
Levamos uns vinte minutos até chegar e descobrimos que aquilo não era simplesmente um castelo. Estávamos entrando em Avignon, uma das cidades históricas mais importantes da França.
Só que antes de conhecer sua história aconteceu uma coisa que nunca esqueci.
Paramos o carro e começamos a caminhar pelas ruazinhas. De repente, ouvimos música. Um violino tocando ao longe, depois um violão… Conforme caminhávamos, outros sons apareciam. As ruas eram lindas, floridas, cercadas por construções antigas, e aquela música parecia fazer parte da cidade.
Foi uma das sensações mais gostosas que já tive viajando.
Depois descobrimos que Avignon tem uma relação muito forte com a música. O conservatório da cidade começou a oferecer aulas ainda em 1828 e hoje leva o nome de Olivier Messiaen, compositor nascido justamente em Avignon e considerado um dos grandes nomes da música do século XX.
Mas a surpresa não terminou aí.
Aquelas muralhas que tinham chamado nossa atenção na estrada cercam uma cidade que foi sede do papado no século XIV. É lá que está o impressionante Palais des Papes, o Palácio dos Papas, uma construção gigantesca que domina a paisagem e é considerada o maior palácio gótico da Idade Média.
Avignon ainda guarda cerca de 4,3 quilômetros de muralhas e seu centro histórico é Patrimônio Mundial da UNESCO.
E pensar que nada disso estava nos nossos planos naquela manhã.
Se tivéssemos simplesmente seguido o GPS, talvez Avignon fosse apenas uma placa que passaríamos pela estrada.
Por isso, até hoje, quando eu e o Ro viajamos, continuamos fazendo a mesma coisa. Apareceu uma estradinha diferente? Vamos ver. Um restaurante perdido? Vamos parar. Alguma coisa chamou nossa atenção lá longe? A gente muda a rota.
Porque roteiro ajuda muito.
Mas algumas das melhores histórias de uma viagem começam justamente quando a gente resolve sair dele.







